Pedro Adão e Silva à Rádio Comercial: "o Dino D' Santiago é o músico nacional com maior potencial"

Ministro assumidamente melómano afirma que gosta de se misturar com o público.

O responsável governamental pela pasta da cultura, Pedro Adão e Silva, reconhece que “ia mais a festivais antes de ser ministro”, em entrevista a Pedro Ribeiro, da Rádio Comercial, neste sábado, no terceiro e último dia do festival MEO Kalorama, cuja segunda edição voltou a decorrer no Parque da Bela Vista, em Lisboa. "É uma daquelas coisas infelizes de se ser ministro, não se consegue ir a tantos festivais e com tanto tempo", embora não prescinda de ver concertos misturado com o público, de preferência na zona da frente.   

Pedro Adão e Silva assume as contrariedades de se ser governante: "não vou a todos os concertos que eu gostava de ir e vou a muitas coisas que se calhar não escolheria ver. O ministro da cultura tem os seus gostos limitados. Há algum constragimento. Por exemplo, [enquanto] ministro da cultura, só posso falar das coisas de que gostei".

Para o ministro assumidamente melómano, "o Dino D' Santiago é o artista que, a partir de Portugal, tem maior potencial neste momento. Corresponde a um cruzamento musical e de linguagens. Tem um lado tradicional de reinvenção da música cabo-verdiana, mas com uma dimensão universal. Além do mais, é carismático, tem tudo para dar certo”. Dino D' Santiago atuou nesse sábado, no festival MEO Kalorama.

Do que viu nesta edição do MEO Kalorama, Pedro Adão e Silva destaca o concerto dos Blur na passada quinta-feira: "gostei mesmo muito. Ao contrário de muitas bandas que regressam, aquilo continua a funcionar entre eles [o quarteto histórico do britpop nunca registou alterações na formação]". O político e antigo comentador rendeu-se também ao último álbum dos Blur, "The Ballad of Darren", de que tocaram cinco músicas no MEO Kalorama. “É mesmo um dos melhores discos deles”.  

 

Pedro Adão e Silva elege como um dos melhores concertos que viu em festivais a atuação dos Massive Attack na edição de 1996 do Super Bock Super Rock, ocorrida em Alcântara, em Lisboa, quando a banda vivia o ciclo criativo do seu segundo álbum, "Protection".

Entre os desejos de um projeto que nunca viu ao vivo mas que gostava ver, o ministro da cultura elege os britânicos enigmáticos Sault, que optam por não dar concertos. Mas Pedro Adão e Silva lamenta ainda mais uma perda irremediável: "tive bilhetes para o espetáculo do João Gilberto, que depois cancelou. E esse já não dá para ver”. João Gilberto, um dos "pais" do bossa nova e sempre muito reservado, nunca mais atuou em Portugal desde esse cancelamento há cerca de 20 anos. João Gilberto faleceu em 2019.