Pelo menos 31 mortos e centenas de desaparecidos em inundações no Nepal
Entre os desaparecidos estão 291 turistas. MNE não tem indicação de portugueses afetados.
Pelo menos 31 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas devido a uma avalanche de gelo e rocha que provocou hoje inundações relâmpago no Nepal, disseram as autoridades locais citadas pelas BBC.
Entre as centenas de pessoas desaparecidas, estão 291 turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia.
Contactado pela nossa redação, o secretário de Estado das Comunidades refere que não tem "registo de vítimas portuguesas", estando os serviços consulares a acompanhar a situação.
O transbordo do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09h00 (04h15 em Lisboa) e destruiu várias aldeias, estradas e projetos hidroelétricos.
As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani.
“Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel.
O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas.
“As inundações são maciças e suscetíveis de ter afetado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP).
A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios.
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— Nepal Police (@NepalPoliceHQ) August 26, 2026
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres.
As inundações afetaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE.
Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua.
Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada.
As autoridades da China ainda não divulgaram qualquer balanço do número de vítimas.
“A prioridade absoluta é a mobilização de todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realojar os habitantes em perigo, prestar cuidados médicos rápidos aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua.
Xi só costuma pronunciar-se após catástrofes quando o balanço humano é elevado, segundo a AFP.
O distrito nepalês de Rasuwa já tinha sofrido inundações semelhantes em agosto de 2025, quando um lago glaciar no vizinho Tibete transbordou devido às elevadas temperaturas na região montanhosa e causou nove mortos.
Avalanche proveniente de um glaciar
Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro de hoje foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar.
De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã.
“O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização.
“Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou.
O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que obstrução causada pela avalanche no rio se manteve e “pode assim ocorrer uma segunda inundação”.
A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela ação humana.
Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.
