Pelo menos três mortos após sismo no Japão

Há registo de mais de 100 feridos na sequência do abalo da passada terça-feira.

As equipas de resgate continuavam esta quarta-feira as buscas por possíveis desaparecidos sob os escombros de um centro comercial no sudoeste do Japão, após um forte sismo que matou pelo menos três pessoas e fez mais de 100 feridos.

A estação TBS adiantou que um "número considerável" de pessoas pode ter morrido dentro do complexo comercial severamente danificado em Kashima, um subúrbio de Kumamoto.

Já a emissora pública NHK, que citou as autoridades locais, noticiou que duas mulheres morreram no centro comercial Aeon, que sofreu uma explosão após o sismo.

Uma outra pessoa sofreu uma paragem cardíaca, segundo a mesma fonte.

As autoridades regionais tinham anteriormente relatado que 10 pessoas estavam desaparecidas no complexo, enquanto a polícia afirmou que entre 20 e 30 funcionários não foram localizados.

O sismo atingiu Kyushu, a ilha mais a sul das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, às 08:27 (hora de Lisboa) de terça-feira, com uma magnitude de 7,1, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), e de 6,8, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

O nível foi também o mais elevado (7) numa escala separada utilizada no Japão, que mede a intensidade com que os sismos são sentidos num determinado local, indicou a JMA.

Várias réplicas após sismo forte

Seguiram-se uma série de réplicas, incluindo uma de magnitude 6,1 às 09:08 (hora de Lisboa). Um alerta de tsunami foi emitido e depois cancelado.

A primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu na terça-feira que as equipas de resgate trabalhariam "incansavelmente" durante a noite, dando prioridade "ao resgate e à segurança dos afetados".

As Forças Armadas japonesas mobilizaram 3.600 pessoas para as operações de resgate e enviaram 20 aeronaves para avaliar os danos.

Várias pessoas foram também dadas como desaparecidas numa fábrica na cidade de Yatsushiro, mais a sul, onde o topo de uma chaminé colapsou, segundo a NHK.

Uma pessoa morreu quando uma casa desabou na mesma província de Kumamoto, informou a Kyodo News.

Danos e impacto do sismo

A NHK transmitiu imagens de outras zonas da região, mostrando vários incêndios, pontes danificadas, um comboio de mercadorias descarrilado e casas em risco de derrocada.

Imagens verificadas pela AFP mostram camiões, postes de iluminação e semáforos a balançar violentamente durante cerca de 20 segundos.

Dois hospitais informaram ter assistido pelo menos 50 feridos cada, segundo a NHK.

A NHK informou ainda que cerca de dez pessoas ficaram feridas num lar de idosos.

No entanto, não foi detetada qualquer anomalia imediata nas centrais nucleares da região, confirmou a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão.

Cerca de 45.000 casas e instalações ficaram sem energia na província de Kumamoto, de acordo com a Kyushu Electric Power.

Risco sísmico no Japão

Em 2016, dois sismos devastadores — um de magnitude 6,5, seguido dois dias depois por outro de magnitude 7,3 — atingiram Kumamoto. Causaram 273 mortes e mais de 2.800 feridos.

Localizado na junção de quatro grandes placas tectónicas ao longo da orla oeste do Círculo de Fogo do Pacífico, o Japão é um dos países mais expostos a sismos.

Com uma população de aproximadamente 125 milhões de habitantes, o Japão sofre normalmente centenas de sismos por ano, representando cerca de 18% de todos os sismos registados no mundo.

A grande maioria destes sismos é de baixa intensidade, embora os danos causados variem consoante a sua localização e profundidade abaixo da superfície da Terra.

O Japão ainda sofre profundamente as consequências do terramoto submarino de magnitude 9,0 de 2011, que desencadeou um tsunami que fez cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos e provocou o desastre nuclear de Fukushima.