"Percurso longo e doloroso" no diagnóstico da Esclerose Múltipla em Portugal
Estudo revela que o diagnóstico da doença em Portugal demora, em média, mais de três anos após os primeiros sintomas.
O diagnóstico da Esclerose Múltipla (EM) em Portugal demora, em média, mais de três anos após os primeiros sintomas, conclui um estudo europeu que será divulgado esta sexta-feira, Dia Mundial da Esclerose Múltipla.
O estudo da Plataforma Europeia de Esclerose Múltipla, que contou com a participação de 785 pessoas em Portugal, revela ainda que o início do tratamento com medicamentos modificadores da doença sofre um atraso médio de 1,7 anos após o diagnóstico.
A Fadiga, dor, distúrbios cognitivos e dificuldades de mobilidade são os sintomas com maior impacto na qualidade de vida.
Perante as conclusões, o presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), Alexandre Guedes da Silva, lamenta o atraso no diagnóstico, porque as pessoas não são direcionadas para o local certo: "primeiro que consigam chegar a um sítio onde que lhes consigam dar verdadeira resposta, muitas vezes é um percurso longo e doloroso e, muitas vezes, incompreendido".
O responsável sublinha que é crucial acelerar e tornar mais eficaz o diagnóstico da EM, porque nesta doença o "tempo é cérebro", ou seja, "o tempo que andamos sem conseguir ter respostas acabamos por ver o nosso cérebro e o nosso sistema nervoso central destruído por inflamações recorrentes que nos vão causando depois danos para o resto da vida".
O presidente da SPEM sublinha, por isso, a necessidade de garantir em todo o país uma resposta com equipas multidisciplinares aos doentes.
A Esclerose Múltipla foi identificada há cerca de 150 anos, mas ainda não se sabe a origem nem foi encontrada a cura. Estima-se que em Portugal afete cerca de 12 mil pessoas, principalmente jovens adultos entre os 20 e os 40 anos.
Pode ouvir em baixo a entrevista com o presidente da SPEM:
