PJ confirma 39 detidos na Operação "Hermes"
De acordo com a PJ, os suspeitos terão lesado o estado português em mais de 150 milhões de euros
A Polícia Judiciária (PJ) deteve 39 pessoas, por suspeitas dos crimes de associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento, por lesarem estado português em mais de 150 milhões de euros.
Em comunicado, a PJ refere que as detenções ocorreram no âmbito de um inquérito titulado pela Procuradoria Europeia e após a realização de quase 300 buscas realizadas esta quarta-feira em várias cidades.
"Na sequência das 248 buscas domiciliárias e não domiciliárias, realizadas nos concelhos do Porto, Espinho, Aveiro, Santa Maria da Feira, Ovar, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Arouca, Braga, Lousada, Lisboa, Alcobaça, Torres Novas, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira, Loures, Odivelas, Sintra, Oeiras, Cascais, Amadora, Almada, Seixal, Moita, Palmela, Setubal e Loulé foram detidas 39 pessoas ligadas a esta organização transnacional, portugueses e estrangeiros, com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos", adianta.
Na mesma nota, a PJ esclarece que a atividade criminosa em causa "centra-se num esquema de fraude fiscal denominado de “carrossel”, que procura utilizar as fragilidades naturais decorrentes do regime de tributação em sede de IVA quando nos encontramos perante transações intracomunitárias de bens."
Na prática, adianta, "este esquema está relacionado com a comercialização de telemóveis e dispositivos eletrónicos e consistia em fazer circular as mercadorias através de uma cadeia fraudulenta de empresas e de “missing traders”, ou seja empresas que desaparecem sem cumprir as respetivas obrigações fiscais. Posteriormente, outras empresas integradas na cadeia fraudulenta solicitariam às autoridades fiscais nacionais o reembolso do IVA."
Além de Portugal, houve também diligências de recolha na Alemanha, França, Espanha, Itália, Malta, Países-Baixos, Lituânia e Áustria.
No total, foram realizadas mais de 300 buscas domiciliárias e não domiciliárias em Portugal, Áustria, França, Alemanha, Itália, Malta, Países Baixos e Espanha. Foram ainda detidos 62 suspeitos, 39 em Portugal, 20 em Espanha e três em Itália.
Os 39 detidos em Portugal serão presentes à competente autoridade judiciária no Tribunal Central de Instrução Criminal, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
