PJ faz buscas relacionadas com o acidente do Elevador da Glória

Visados são responsáveis da Carris e da empresa que fazia a manutenção do equipamento.

A Polícia Judiciária está esta sexta-feira a realizar buscas relacionadas com o descarrilamento do Elevador da Glória, tendo como alvos responsáveis da Carris e da empresa responsável pela manutenção à data do acidente, a MAIN. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão que dirige o Ministério Público, coordenador do inquérito relativo ao acidente do elevador da Glória, confirmou à redação a existência de “diligências de buscas” judiciais na Carris.

“Confirma-se a realização de diligências de busca, entre as quais a um posto de trabalho na Carris, no âmbito de inquérito a correr termos no DIAP Regional de Lisboa”, pode ler-se na nota enviada pela PGR.

Também a Carris, empresa de transporte público da cidade de Lisboa, que tem a gestão dos ascensores e elevadores da capital, confirmou à agência Lusa estarem a decorrer buscas judiciais na sede da empresa, em Santo Amaro, e que está a colaborar com as autoridades.

“A Carris está a colaborar com as autoridades, como sempre faz, e confirma que estão a decorrer buscas na sede da empresa, em Santo Amaro”, disse a empresa, numa curta resposta.

Apesar de questionada acerca do teor das buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ), a Carris escusou-se a adiantar mais pormenores.

A operação foi avançada pela CNN Portugal, que acrescenta que são investigados crimes de homicídio por negligência e violação de regras de segurança.

No terreno estão mais de vinte inspetores da PJ, acompanhados no local pelo procurador Joaquim Morgado, a cumprir "cerca de dez buscas domiciliárias aos visados na investigação".

Também foi identificado o gestor do contrato de manutenção entregue à MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia e, do lado desta empresa, o principal rosto é o sócio gerente Gustavo Pita Soares.

O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro de 2025, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

A Câmara de Lisboa, sob presidência de Carlos Moedas (PSD), suspendeu “de imediato” o funcionamento dos ascensores da Bica e do Lavra e do funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados.

A autarquia decidiu ainda nomear uma comissão técnica independente para avaliar as condições de todos os ascensores e funiculares da cidade, tendo entretanto já aberto o funicular da Graça, em abril.

Em março, passado seis meses do acidente, fonte oficial da seguradora Fidelidade disse à Lusa que “foram registadas 40 vítimas no total”, concretamente 16 mortos e 24 feridos, e sublinhou que se mantém “um acompanhamento ativo e permanente” às vítimas e respetivas famílias, “assegurando a regularização do sinistro nos termos legais aplicáveis”.

O PS na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) propôs a constituição de uma comissão eventual para acompanhamento e esclarecimento do acidente, mas foi chumbada.

A Carris, que tem como acionista única a Câmara de Lisboa, disse, igualmente em março, que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela Fidelidade.

De acordo com a transportadora, “mantêm-se em curso o inquérito interno, as auditorias externas e uma estreita colaboração no âmbito do inquérito promovido pelo GPIAAF” - Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários.

Pedro de Brito Bogas, presidente da Carris à data do acidente, demitiu-se depois de este gabinete de investigação concluir que o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória, e que cedeu, não respeitava especificações nem estava certificado para transporte de pessoas.

A investigação do GPIAAF ao acidente com o elevador da Glória detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.

Segundo os investigadores, “embora as ações de manutenção contratualmente previstas e planeadas estivessem a ser registadas como cumpridas em sistema de registo próprio, ao qual a Carris tem acesso direto, foram recolhidas evidências de que tal registo não corresponde às tarefas que efetivamente foram executadas”.

Atualmente a Carris é presidida por Rui Lopo.