Operação "Mais-Valia". PJ faz dezenas de buscas sobre venda da antiga sede da FPF
Houve 20 buscas em Lisboa, Setúbal e Santarém relacionadas com suspeitas de crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem, participação económica em negócio e fraude fiscal.
A Polícia Judiciária fez esta terça-feira pelo menos 20 buscas e apreensões relacionadas com a venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol, no âmbito de uma operação a que chamou "Mais-Valia".
O diretor nacional da PJ, Luís Neves, confirmou a operação em declarações aos jornalistas e precisou que as buscas estão relacionadas "com a venda da antiga sede da FPF e envolve suspeitas do crime de corrupção, recebimento indevido de vantagem e fraude fiscal".
Luís Neves falou aos jornalistas na Sede Nacional da PJ onde, minutos antes, tinha participado numa conferência de imprensa sobre o caso do submarino intercetado ao largo dos Açores com seis toneladas e meio de cocaína a bordo.
Já foram realizadas "cerca de 20 buscas a pessoas singulares e coletivas e a sociedades de advogados" e há outras ainda a decorrer, detalhou também, remetendo mais informações para um comunicado divulgado esta terça-feira.
No documento em questão lê-se que a operação policial decorreu em Lisboa, Setúbal e Santarém depois de terem sido identificados possíveis ilícitos na "intermediação da venda da antiga sede" da FPF na Rua Alexandre Herculano, n.º 58, Lisboa.
O edifício "foi vendido por onze milhões duzentos e cinquenta mil euros" e o comunicado acrescenta a participação económica em negócio à lista de possíveis crimes que foi inicialmente descrita por Luís Neves.
FPF "surpreendida"
A atual - e recente - direção da FPF mostra-se "surpreendida" com as buscas e garante que vai ser "totalmente inflexível na defesa dos interesses da instituição".
Além disto, escreve num comunicado divulgado já depois da operação "Mais-Valia" ser noticiada, a FPF garante que vai intensificar as auditorias já iniciadas pela consultora PwC.
No mesmo documento, explica que os negócios investigados aconteceram entre 2016 e 2020 e que vai constituir-se assistente "em todos e quaisquer processos que lesem os interesses patrimoniais e/ou reputacionais da FPF".
Garante ainda que vai "até às últimas consequências" face à prática de qualquer crime que possa ser apurada e promete agir "de forma absolutamente intransigente relativamente a todas e quaisquer pessoas que tenham lesado os seus interesses".
As buscas desta terça-feira envolvem 65 inspetores, 15 especialistas de Polícia Científica da PJ, cinco juízes de instrução criminal, seis magistrados do Ministério Público e quatro representantes da Ordem dos Advogados.
O inquérito está sediado no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa e a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção.
O DIAP especifica que um dos locais buscados são instalações da FPF e que as buscas são domiciliárias e não domiciliárias.
A PJ explica que a investigação vai agora analisar as provas recolhidas e dar seguimento aos exames e perícias necessárias para "o cabal apuramento da verdade e a sua célere conclusão".
A SIC Notícias adianta que já foram constituídos dois arguidos e a CNN Portugal aponta Paulo Lourenço - antigo secretário-geral da FPF - e António Gameiro - mediador - como principais alvos da investigação.
Fernando Gomes foi recentemente eleito presidente do Comité Olímpico de Portugal e a tomada de posse está marcada para esta tarde.
