Plataforma apela ao fim do transporte marítimo de animais vivos, "negócio que não faz sentido nenhum"
Plataforma Anti Transporte de Animais Vivos alerta que os animais embarcam à bastonada, viajam em antigos navios de carga reconvertidos sem condições e por vezes chegam cegos.
Sines é o porto de onde saem mais animais vivos para transporte marítimo e é também, esta sexta-feira, o palco de uma iniciativa que quer acabar precisamente com esse tipo de transporte em Portugal.
No dia internacional da consciencialização contra o transporte de animais vivos, a PATAV - Plataforma Anti Transporte de Animais Vivos, quer alertar para a urgência do fim deste tipo de exportação também por esta ser, explicou Constança Carvalho à rádio, um “negócio que não faz sentido nenhum, nem do ponto de vista ambiental, nem do ponto de vista do bem-estar animal, nem sequer do ponto de vista económico”.
O objetivo da plataforma é “alertar as pessoas para esta realidade”, mas também “combatê-la” através de uma petição que vai ser entregue na Assembleia da República pelo fim deste negócio.
Portugal começou a exportar animais vivos para Israel em 2015 e, desde aí, o volume de animais envolvidos desses negócios tem aumentado. No ano passado chegou ao “meio milhão” de bovinos e ovinos. E os problemas identificados pela PATAV começam “logo no embarque”.
“A legislação é pouca, e a pouca que existe não é cumprida”, lamenta Constança Carvalho. Conta que, nos embarques - que estes ativistas acompanham – observa-se a utilização do "bastão elétrico repetidamente no mesmo animal”, sendo que os animais são também “pontapeados”, caem de “alturas elevadas das plataformas” e são incitados "a andar quando não dispõem de espaço para o fazer”.
“Tudo isto é contrário à lei e é frequente. Nós acompanhamos os embarques e, portanto, isto acontece praticamente em todos”, garante.
Na viagem as condições não melhoram. “Passam até dez dias no porão de navios que foram reconvertidos” do transporte de carga para o de animais e que “portanto não têm condições nenhumas”.
"Não se conseguem deitar todos ao mesmo tempo, não conseguem ter todos acesso à água e à comida a qualquer altura, como é requerido por lei”, aponta.
À chegada – por exemplo, a Israel – os desembarques são acompanhados por uma outra plataforma, a Israel Against Live Shipments, que recolhe imagens. Estas "mostram animais cegos por causa do concentrado de amónia da urina, animais feridos - com cornos partidos e patas partidas – completamente desidratados e exaustos”.
Daí seguem para "quarentenas completamente insalubres, onde uma parte deles morre, e depois vão para os matadouros”.
E a data deste dia internacional da consciencialização contra o transporte de animais vivos não é um acaso: “No dia 14 de junho houve um navio com 13 mil ovelhas a bordo que morreram todas à fome e de exaustão porque o navio não pôde atracar no porto onde era esperado.”
O mesmo já aconteceu com animais de origem nacional, que ficaram “26 dias no porão de um navio por imponderáveis no transporte marítimo”.
