PLAY: o "regresso da alma" à cerimónia da entrega dos prémios da música portuguesa
A 4ª edição dos prémios PLAY aconteceu no Coliseu de Lisboa. Dino D'Santiago venceu, pela terceira vez, a categoria de Melhor Artista Masculino e o Prémio Crítica.
Entrada épica de Filomena Cautela no Coliseu dos Recreios. A apresentadora chegou à sala em braços - os do público que esteve à solta, sem distância de segurança e de cara destapada - tal como se quer na boa e saudosa velha normalidade. A noite foi por isso de celebração da música portuguesa mas também do regresso ao contacto direto e aproximado com os que encheram a sala. Carolina Torres juntou-se à festa para ajudar na apresentação.
A Canção do Ano foi para as mãos de Bárbara Bandeira e Carminho com o platinado 'Onde Vais' e o Melhor Álbum do Ano foi entregue a Jorge Palma com o refinado "70 Voltas ao Sol (Ao Vivo com Orquestra)". Ana Moura venceu na categoria de Melhor Artista Feminina e Dino D'Santiago arrecadou o galardão de Melhor Artista Masculino.
A distinção de Melhor Grupo foi para os The Black Mamba e EU.CLIDES venceu na categoria de Artista Revelação. Ao todo, foram atribuídos 13 prémios, sendo que a Canção do Ano foi votada pelo público e as restantes 12 categorias pela Academia PLAY que é constituída por mais de 300 elementos da indústria musical, da comunicação social e da sociedade civil.
O Prémio Carreira foi dado a Simone de Oliveira que recentemente deu o último concerto que selou um percurso de 65 anos e um contributo de gente maior à música portuguesa. "Foi uma honra e um privilégio assistir a este espetáculo. Tenho o maior respeito pelos meus colegas. Estes 65 anos deram-me algum traquejo. Não estava à espera de mais uma coisa bonita que vocês me deram", disse a artista homenageada.
"Aqui, no coliseu, fui coroada a rainha da rádio. Não sei se voltarei a estar aqui mas espero que continuem a achar que a música portuguesa e este país valem a pena. Até sempre", acrescentou Simone de Oliveira que deixou o palco debaixo de uma chuva de aplausos.
Nenny e Ana Moura, que brilharam de dourado e azul, foram as primeiras artistas a subir ao palco para uma pequena série de músicas de uma e de outra. Assim foi ao longo da noite. Vários artistas juntaram-se para deitar abaixo eventuais muros entre géneros musicais - se é que tais fronteiras existem.
The Black Mamba levaram o músico André Fernandes - vencedor do melhor álbum de jazz da edição do ano passado. O grupo relembrou 'Love Is On My Side', a canção que levou à Eurovisão em 2021, e deu vida ao mexido 'Crazy Nando' com André Fernandes na guitarra.
O angolano Paulo Flores e a fadista Sara Correia juntaram as vozes para cantar 'Meu Semba, Meu Fado' - mais uma dupla improvável a subir ao palco. Mais à frente, o rapper portuense Gama convidou Piruka e Jimmy P para uma versão a três e acústica de 'Borboletas'.
A atuação mais intensa e improvável coube aos Moonspell e a Dulce Pontes que encheram o palco com uma fusão de estilos apoteótica e impressionante. Bárbara Bandeira e Carminho uniram as vozes na interpretação de 'Onde Vais' e - já no final - o músico Ivandro levou Slow J.
A rapper Capicua e o ator João Reis apresentaram o prémio de Melhor Artista Feminina. A vencedora foi então a recente mamã Ana Moura que graciosamente recebeu o prémio em tom de agradecimento. "Todos nós podemos encontrar o nosso caminho e redefinir novas regras para chegar ao sucesso sem desprimor pelos caminhos convencionais", disse a fadista em cima do palco.
Tatanka e Filipa Klut apresentaram o Melhor Artista Masculino. António Zambujo, Camané, Dino D'Santiago e Tony Carreira estavam na corrida. Venceu novamente Dino D'Santiago - homem que está mais do que habituado a receber prémios PLAY - (já devem encher uma prateleira lá de casa) - e que até foi apelidado de "Senhor Play" pela apresentadora Filomena Cautela. O músico cantou um excerto do recente 'Esquinas' do disco "Badiu" - álbum com o qual também ganhou o Prémio da Crítica.
O músico Carlão e a atriz Victória Guerra entraram no palco para entregar o prémio de Melhor Grupo. Moonspell, Os Quatro e Meia, The Black Mamba, Wet Bed Gang eram os nomeados. Ditou a academia que o galardão fosse parar às mãos dos The Black Mamba. Tatanka ergueu o troféu orgulhoso e agradeceu a todos os que os têm acompanhado no "caminho do esforço e da dedicação", gratidão que também saiu da boca do baterista Miguel Casais.
A estatueta de Melhor Videoclipe foi entregue por Fernando Mamede (vencedor no ano passado) e Joana Barrios. André Caniços, que realizou o vídeo de 'Andorinhas', de Ana Moura, foi o vencedor. Seguiu-se a categoria de Melhor Álbum de Jazz, anunciada por André Fernandes e a atriz Joana Pais de Brito. "Unlimited Dreams", de João Lencastre's Communion, foi o disco laureado. O Melhor Álbum de Fado foi para as mãos de Camané com o disco "Horas Vazias" que o fadista editou em outubro do ano passado.
Camané também atuou e acompanhado por Agir. Os dois músicos dedicaram a atuação às famílias ucranianas que foram separadas pela guerra na Ucrânia. Foi por isso que levaram os coros Ricercare e Coro Ucraniano da Igreja Greco-Católica de Lisboa que os ajudaram a cantar 'Havemos de Nos Ver Outra Vez'. A embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets, esteve presente para assistir ao momento solidário. Música também é isto.
Dino D'Santiago ficou encarregue de fazer uma homenagem à música nacional, à música lusófona. O músico convidou os veteranos Monte Cara para fazer uma reinterpretação (em jeito de medley) de algumas canções icónicas da lusofonia - canções que se estendem a várias gerações e que foram interpretadas com reverência e ginga.
Dino D'Santiago voltou ao palco, acompanhado por João Ribeiro de Almeida, para entregar o Prémio Lusofonia - e isto no dia em que se celebra a Língua Portuguesa. Paulo Flores, um dos cantores mais populares de Angola, foi o galardoado e, como disse quando recebeu o prémio, a representar a diversidade de ritmo e de culturas da nossa língua.
O Prémio Revelação foi entregue pela cantora Cláudia Pascoal, que levou a estatueta em 2021, e pelo médico Gustavo Corona a representar os profissionais de saúde que ajudaram a cuidar do mundo em tempos de pandemia. Desta vez, foi EU.CLIDES quem levou o reconhecimento para casa.
A soprano Eva Braga Simões e o músico Fernando Ribeiro deram o galardão de Melhor Álbum de Música Clássica/Erudita a "Portuguese Music for Piano Duo" de Luís Duarte e Lígia Madeira.
