Playback leva "a figura" de Carlos Paião aos cinemas e revela tema inédito
"Lisboa, Lisboa" vai ser ouvido pela primeira vez nas salas de cinema depois de ter sido entregue à equipa de produção pela viúva do cantor e compositor.
O filme "Playback" estreia esta quinta-feira nos cinemais nacionais. É uma biografia musical sobre Carlos Paião, um estudante de Medicina que se tornou numa das figuras mais icónicas da música portuguesa.
"Foi o papel que me obrigou a mergulhar mais e também o que me retirou mais tempo de vida", revela Rafael Ferreira que veste a pele do protagonista. O ator diz que o filme revela um lado menos conhecido do cantor e pode ser interessante também para as "gerações mais novas": "Acredito que conheçam as músicas, mas não conheçam o nome, muito menos a figura."
"Lisboa, Lisboa" foi a escolhida
Carlos Paião licenciou-se em Medicina, mas a música falou sempre mais alto, como conta o realizador do filme Sérgio Graciano: "Ser artista era um passo muito maior para aquilo que ele tinha nas mãos. Ele tinha, de facto, um curso de medicina nas mãos, mas quis seguir o sonho dele."
A música "fez sempre parte da vida" de Carlos Paião e "era a grande paixão" do cantor. O realizador revela também que o filme tem uma música inédita de Carlos Paião. Para isso, contaram com ajuda da viúva do artista: "A Zaida [Cardoso] deu-nos cinco músicas, com música de sala, em que ele estava a cantar e o gravador estava a cinco metros dele. Chegámos à conclusão de que a música que podia ser um retrato do Carlão Paião em 2026 era o 'Lisboa, Lisboa'. E está no filme."
O filme retrata a vida do cantor recorrendo a músicas icónicas como "Pó de Arroz" ou "Cinderela", interpretadas pelo ator Rafael Ferreira: "Era mesmo extraordinária a forma como ele contava as histórias através da música, as palavras que escolhia, e sinceramente não se iria ficar só por Portugal." Um dos seus êxitos, "Playback", que dá nome ao filme, valeu-lhe a vitória no Festival da Canção da RTP em 1981.
Carlos Paião morreu a 26 de agosto de 1988, num acidente de viação perto de Rio Maior, no distrito de Santarém, aos 30 anos. A morte gerou alguns mitos e teorias. "As pessoas não queriam acreditar que ele tinha morrido, porque era uma figura mítica", considera Sérgio Graciano.
O realizador Sérgio Graciano antecipa o que pode o público esperar deste filme: "Pode contar que entra numa sala e que vai rir, chorar e cantar, a ideia é que as pessoas estejam a ver o filme na sala e que cantem."
