Podem fechar até 20% das pequenas empresas de panificação

O alerta é da Associação Nacional dos Comerciantes Industriais de Produtos Alimentares, que reclama a isenção do IVA do pão.

O conflito na Ucrânia e a subida de preços poderá levar ao encerramento de até 20% das pequenas empresas da panificação e pastelaria, setor que reclama a isenção do IVA do pão, adiantou à Lusa a ANCIPA. 

"A pequena indústria está a passar grandes dificuldades. Pela informação que tenho das associações, cerca de 15 a 20% das pequenas empresas em Portugal podem fechar", afirmou, em declarações à Lusa, o vice-presidente da Associação Nacional dos Comerciantes Industriais de Produtos Alimentares (ANCIPA), Mário Gonçalves. 

Segundo este responsável, este cenário é desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que fez disparar os preços dos cereais e os custos energéticos.

O aumento do valor dos cereais que, conforme apontou, foi de até 50%, não está a ser totalmente acompanhado pela subida do preço do pão, ficando o restante valor a cargo dos industriais. 

Mário Gonçalves disse ainda que as associações de moagens pediram ao Governo para que apoiasse a compra de uma "fatia grande de trigo", de modo a que Portugal ficasse como uma reserva para consumo humano. No entanto, tal não foi possível. 

O setor está agora a negociar com o executivo a criação de uma linha de financiamento ou de outro apoio, que permita antecipar a compra.

"As moagens estão a tentar antecipar a compra de barcos de trigo para criarem um 'stock' e evitarem uma rutura no fornecimento de farinha em Portugal. É um esforço financeiro muito grande [...]. Geralmente, a moagem comprava um barco de trigo e, neste momento, está a pensar comprar dois dou três para ter uma reserva. São muitos milhares de euros", apontou. 

O setor da panificação reclama também a isenção do pagamento do IVA do pão até ao final do ano. 

Porém, o vice-presidente da ANCIPA não acredita que tal venha a acontecer, "não só pelas orientações de Bruxelas", mas também pela falta de disponibilidade financeira do Governo.  

"Saímos de uma situação de covid e em janeiro ou fevereiro esperávamos a retoma, mas aparece a guerra e não temos uma previsão [para o seu fim]", concluiu. 

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.119 civis, incluindo 139 crianças, e feriu 1.790, entre os quais 200 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.