Ponte da Chamusca volta a fechar e agrava mobilidade no distrito de Santarém
A ponte reabriu na terça-feira, com a descida das águas, mas o pavimento revelou fissuras, levando as autarquias a interditar novamente a circulação.
A ponte da Chamusca, na Estrada Nacional 243 (EN243), foi encerrada à circulação devido a fissuras no pavimento da estrada de acesso, agravando-se os constrangimentos de mobilidade num distrito com várias vias afetadas, devido às cheias no Tejo, alertou o município esta quarta-feira.
“As cheias e a tempestade Kristin estão a afetar todo o distrito de Santarém, nomeadamente a mobilidade e a circulação rodoviária no concelho da Chamusca. A situação vem expor problemas estruturais já identificados, como a insuficiência do tabuleiro da ponte, e evidencia a necessidade urgente de concretizar o IC3 (Itinerário Complementar)”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara da Chamusca, Bruno Mira.
O fecho atual da ponte na EN243 deveu-se inicialmente, na quinta-feira passada, à submersão do acesso à travessia, provocada pelo galgamento do Dique dos 20, do lado da Golegã.
A ponte reabriu na terça-feira, com a descida das águas, mas o pavimento revelou fissuras, levando as autarquias da Chamusca e da Golegã a interditar novamente a circulação e a chamar uma equipa técnica da Infraestruturas de Portugal (IP) para avaliação.
Enquanto não houver parecer técnico da IP, a alternativa mais próxima é a ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, que liga a Vila Nova da Barquinha, mas impede a passagem de veículos pesados, limitando o transporte de mercadorias e serviços essenciais.
Segundo Bruno Mira, “desde que foram feitas obras de requalificação da ponte, o tabuleiro estreitou e dois camiões não se conseguem cruzar, causando graves constrangimentos não só ao concelho, mas a toda a região”.
O distrito de Santarém conta com várias travessias sobre o Tejo, entre as quais se destacam as pontes de Abrantes, Constância-Sul (Praia do Ribatejo), Santarém (duas) e a ponte da Chamusca, essenciais para a circulação de veículos e mercadorias entre as margens do rio.
Entre Abrantes, mais a norte, e Santarém, a sul do distrito, existem cerca de 100 quilómetros de distância, pelo que cada travessia tem um papel estratégico na circulação regional.
A ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, é a alternativa mais próxima à ponte da Chamusca, mas apresenta restrições significativas, uma vez que, além da circulação alternada e regulada por semáforos, não permite a passagem de veículos pesados, o que limita o transporte de mercadorias e serviços essenciais e obriga a percursos muito mais longos para camiões.
Bruno Mira adiantou ainda ter já solicitado reunião com o ministro das Infraestruturas para discutir a concretização do IC3, uma infraestrutura prometida há mais de 20 anos, considerada essencial para a circulação segura de pessoas e bens entre os dois lados do Tejo.
