População e freguesias preocupadas com impacto de alta velocidade em Coimbra

População e alguns autarcas estão preocupados nomeadamente com casas que possam ser afetadas.

Vários cidadãos e dois presidentes de juntas de freguesia de Coimbra estão preocupados com os impactos que a futura linha de alta velocidade terá no concelho, nomeadamente em habitações que serão afetadas.

Com um auditório do Instituto Português da Juventude em Coimbra praticamente cheio, esta quinta-feira, foram vários os cidadãos que se mostraram preocupados com a possibilidade de o projeto da linha de alta velocidade Porto-Lisboa destruir habitações, nomeadamente na margem esquerda do Mondego, nas zonas de Bencanta, Taveiro e Ribeira de Frades.

Presente na sessão de discussão pública promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente, o presidente da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, Jorge Veloso, considerou que um dos eixos propostos "destrói a freguesia de Ribeira de Frades", uma zona já 'cortada' pela A1, pela via rápida para Coimbra e pela atual linha ferroviária.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) publicado em junho relacionado com o troço entre Oiã (Oliveira do Bairro) e Soure, estima-se que 35 casas, 37 anexos e 18 telheiros do concelho de Coimbra sejam afetados pela nova infraestrutura ferroviária.

"A freguesia está condenada a desaparecer do mapa", criticou o autarca, cuja intervenção foi aplaudida pela grande maioria das pessoas que participavam e secundada pelo presidente de União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila, Jorge Mendes.

Jorge Veloso defendeu que o projeto deveria optar por um traçado que passasse pelos campos agrícolas, ao invés de passar pela zona edificada, considerando que há correções que devem ser feitas "entre Taveiro e Bencanta".

Na resposta, o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Carlos Fernandes, vincou que, nesta fase, está-se a trabalhar o estudo prévio "em centenas de quilómetros de traçados", com um projeto ainda sem "um grau fino de detalhe".

"Uma vez selecionado o corredor com menor impacto possível, poderemos depois trabalhar nesse traçado", de forma mais minuciosa, para evitar impactos indesejados, esclareceu.

Apesar disso, o responsável vincou que qualquer solução terá impactos, mas que a IP terá sempre como "principal foco" reduzir ao máximo o número de casas de habitação própria afetadas pela linha.

"Se não viéssemos a Coimbra, [o projeto] teria menos impacto. É quando chegamos junto às cidades, que temos impactos", notou Carlos Fernandes.

Vários cidadãos associados a movimentos ambientalistas questionaram o impacto da linha de alta velocidade na Mata Nacional do Choupal e a solução prevista de duplicação da Linha do Norte para a entrada e saída de Coimbra, propondo uma estação de alta velocidade na periferia, nomeadamente em Taveiro ou na Adémia.

"A duplicação da linha é apenas necessária porque a alta velocidade vem ao centro de Coimbra. Se a alta velocidade não viesse ao centro, não teríamos metade das questões aqui colocadas. Devíamos ver uma solução que não esta e olhar para Coimbra, como um todo, olhar para Taveiro ou para Adémia como sendo Coimbra", defendeu Miguel Dias, do Climação Centro, considerando que não haverá problemas em aceder à alta velocidade a três ou quatro quilómetros do centro da cidade.

Na resposta, Carlos Fernandes vincou que o objetivo da alta velocidade "é levar as pessoas ao seu destino e onde se possa integrar noutras redes de transporte".

"Há situações onde se construíram estações fora da cidade e o sucesso é reduzido. Por outro lado, por exemplo, Bordéus [em França], a alta velocidade chegou há seis anos e o desenvolvimento da cidade é extraordinário, porque cria-se cidade onde ela já existe", vincou.

Já o arquiteto Duarte Miranda defendeu que o projeto de alta velocidade deveria também ser uma oportunidade para devolver ao território entre Taveiro e Bencanta outra ligação urbanística.

"É uma zona cortada pela via rápida e pela Linha do Norte. Devia-se aproveitar este projeto para coser as duas margens, entre norte e sul, e já que se vão construir passagens superiores, aproveite-se para estender as ligações entre margens, para que não estejam divididas pela linha", apontou.