Porto com 'estação-ponte' para TGV em Campanhã

A ligação Porto-Lisboa em TGV colocará as duas cidades a 01:15 de tempo, entre si, e terá paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.

 A gare ferroviária de Campanhã, no Porto, será ampliada e ficará com configuração de 'estação-ponte', com uma passagem superior de acesso aos cais de embarque, caso o projeto de execução para receber a alta velocidade seja aprovado.

Segundo o projeto de execução que hoje entrou em consulta pública até dia 29, está previsto "um novo edifício de passageiros, com acessos por ambos os lados da cidade (poente-nascente), incluindo a passagem superior sobre todas as plataformas, interligando a praça a poente e a nova praça intermodal a nascente", bem como uma "passagem pedonal sobre a atual linha de metro e o terminal dos STCP a poente".

A nascente, no âmbito de uma nova praça que irá nascer com a ampliação da estação, está incluída "a construção de um novo parque de estacionamento coberto, com 620 lugares", que será subterrâneo.

Já a poente, na atual entrada principal da estação, há a "intenção de arborizar a praça poente frente ao edifício de estação novecentista, e de condicionar o trânsito apenas a veículos autorizados, táxis e acesso ao parque de estacionamento", uma alteração face ao anterior projeto (outubro de 2025) que foi chumbado, que previa a relocalização da praça de táxis para nascente e o corte desse acesso ao parque de estacionamento, o mais próximo da atual estação, a favor de mais espaço exclusivo para os peões.

Para a construção da passagem superior será demolida a 'torre do relógio' existente a norte do edifício da estação, para dar lugar à nova passagem superior que funcionará também como edifício de passageiros, pretendendo ligar "todas as 'pontas soltas' que atualmente compõem o extenso e disperso programa de interface de transportes de Campanhã".

O novo edifício de passageiros terá vários pisos, composto pela "estação propriamente dita, com áreas públicas, de apoio e de prestadores de serviços, áreas técnicas e comércio", instalações da Infraestruturas de Portugal (IP), centro de escritórios, e o parque de estacionamento será acessível pela nova praça através da nova Via Corniche, planeada no Plano de Urbanização de Campanhã.

Quanto aos abrigos dos passageiros nas plataformas de embarque, nas linhas 02 a 11 "serão construídos 20 volumes fechados (quatro por plataforma) equipados com bancos de madeira, para acolher, cada um dos volumes, confortavelmente e protegido da intempérie, cerca de 20 passageiros".

Já sobre as coberturas de betão atualmente existentes, algumas serão mantidas e outras demolidas, mas será mantido atual desenho "por forma a cobrirem uma extensão de 220 metros", ou seja, no âmbito deste projeto não está incluída a cobertura da totalidade da plataforma, incluindo o acesso à passagem inferior pedonal norte, que dá acesso ao terminal Intermodal de Campanhã, e que ficará desabrigado dos elementos.

A nascente, a Rua Pinheiro de Campanhã dará lugar a uma ampliação da estação ferroviária (haverá uma nova plataforma para as novas linhas 10 e 11, sendo que quatro linhas serão dedicadas a serviços de alta velocidade), sendo restabelecida no antigo canal do Ramal da Alfândega, cuja implementação de um "eventual futuro projeto de mobilidade sustentável" entre Campanhã e a Alfândega fica possibilitada.

Esta é a segunda versão do projeto de execução para Campanhã, já que o anterior foi 'chumbado' pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e recupera o que tinha sido apresentado em vídeo aquando da adjudicação do projeto, em outubro de 2024, com uma passagem superior na estação de Campanhã e não de uma passagem superior "ventilada naturalmente" exposta aos elementos.

A ligação Porto-Lisboa em alta velocidade colocará as duas cidades a 01:15 de tempo entre si, e terá paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.

Deverá estar pronta na totalidade em 2032, tal como Porto-Vigo, com estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.