Portugal Ao Vivo 93: megaconcertos à portuguesa
Foi há 30 anos, no Estádio de Alvalade, que seis bandas nacionais se juntaram para um evento inédito.
A 26 de junho de 1993, há exatamente 30 anos, seis das bandas mais célebres de Portugal juntavam-se para saborear em palco o que era ser um grande de estádio. Xutos & Pontapés, Delfins, Resistência, Madredeus, Sétima Legião e os Sitiados compuseram o cartaz do Portugal ao Vivo e atraíram ao antigo Estádio de Alvalade cerca de 40 mil pessoas.
Portugal vivia o apogeu da era dos megaconcertos. Só em 1993, tocaram no Estádio de Alvalade Bruce Springsteen (sem a E Street Band), os U2 (com os botões no comando da megalómana Zoo TV), os Metallica (numa noite empolgante que os fãs mais antigos se recusam a esquecer), os Depeche Mode (ainda em quarteto, com Alan Wilder em palco), Sting (em estreia em nome próprio por cá), Prince (em estreia absoluta no país e à beira de trocar o nome por um símbolo) ou os Bon Jovi (com o luxo de terem Billy Idol na primeira parte).
Foi neste contexto que as bandas portuguesas se juntaram e tentaram a sua sorte, uma semana depois de os GNR terem dado o seu segundo concerto de estádio do seu percurso, no recinto das Antas, no Porto.
Em 1993, ainda estavam para acontecer dois dos maiores fenómenos comerciais da música portuguesa: o famigerado álbum de estreia de Pedro Abrunhosa, "Viagens", só saiu em 1994; e os Silence 4 bateram recordes de vendas com "Silence Becomes It" em 1998. Em 1993, Pedro Abrunhosa ainda não tinha que usar óculos escuros para se proteger. E David Fonseca era ainda um jovem incógnito de 20 anos.
Nessa altura, em 1993, os Rádio Macau estavam a iniciar um interregno, que foi confundido com separação. E separados já estavam então os Trovante. Lena D’Água vivia um período mais obscuro. E os UHF, simplesmente, não estavam no cartaz.
Os Xutos & Pontapés estavam a recuperar de feridas recentes (mudança de manager, um álbum como "Gritos Mudos" aquém das expetativas comerciais e a perda temporária do saxofonista Gui), prontos para reconquistar o público nacional. Os Madredeus já mal paravam em Portugal, a preparem-se para o ciclo mais intenso de sempre do projeto (com álbum de 1994 "O Espírito da Paz" e a banda sonora do filme de Wim Wenders, "Lisbon Story", "Ainda"). Os Resistência viviam os últimos frutos dos álbuns de versões acústicas "Palavras ao Vento" e "Mano a Mano". Os Delfins estavam empolgados com a dimensão mais teatral do ambicioso álbum duplo "Ser Maior - Uma História Natural", que estavam para lançar. Os Sétima Legião mostravam as valias de uma formação tão forte quanto numerosa. E também vindos de uma hibridez entre rock e folclore nacional, os Sitiados viviam a sua gloriosa primeira metade dos anos 90, como se pode ver em baixo.
