Portugal e Alemanha assinam declaração para reforçar cooperação na Defesa

O negócio prevê também a capacidade de produção e manutenção dos veículos em Portugal.

Resumo IA

• Portugal e Alemanha assinaram uma declaração para reforçar a cooperação na Defesa, incluindo armamento e drones.

• O investimento em 72 veículos blindados Boxer ultrapassa mil milhões de euros e inclui produção em Portugal.

• As partes vão aprofundar a cooperação em várias áreas, com foco na formação militar e na proteção de rotas marítimas.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

Portugal e Alemanha assinaram hoje, em Berlim, uma declaração de intenções para reforçar a cooperação na Defesa, com projetos em áreas como armamento, espaço, drones e formação militar.

Numa conferência de imprensa após a assinatura, o ministro da Defesa português, Nuno Melo, destacou a existência de projectos concretos que juntam empresas e Forças Armadas dos dois países, considerando a Alemanha "um parceiro estratégico fundamental" e "um aliado antigo" de Portugal.

"Esta não é apenas uma visita de cortesia, esta é uma visita de trabalho", sublinhou Nuno Melo, que apontou como exemplo a aquisição, pelo Exército português, de 72 veículos blindados Boxer, num investimento superior a mil milhões de euros.

O negócio prevê também a capacidade de produção e manutenção dos veículos em Portugal, o que, segundo o ministro, demonstra "uma parceria estratégica que vem a benefício de ambas as partes".

Satélites nos Açores

Na área do espaço, Nuno Melo referiu o projeto de instalação, na ilha de Santa Maria, nos Açores, de uma infraestrutura de lançamento de satélites, que descreveu como uma alternativa europeia. O ministro adiantou que estão em curso conversações entre a Força Aérea Portuguesa e empresas alemãs tendo em vista essa iniciativa.

Também na conferência de imprensa, o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, identificou o espaço como uma das áreas com maior potencial para aprofundar a cooperação entre os dois países.

"Vamos investir milhões na comunicação de satélites", sustentou, acrescentando que o setor do armamento tem igualmente "muitas ligações com Portugal".

Pilotos F-35 com formação em Portugal

Nuno Melo destacou ainda os contactos para a formação de pilotos de F-35 em Portugal, no âmbito de uma parceria que envolve a Lufthansa Technik, e a cooperação no setor dos drones. Neste domínio, referiu o investimento de uma empresa portuguesa em Munique e a utilização na Ucrânia de drones portugueses testados em situação de combate.

O ministro mencionou também a ligação industrial em torno dos submarinos portugueses, construídos na Alemanha, e os contactos entre empresas dos dois países em áreas como a inteligência artificial, a cibersegurança, os sistemas de comunicação e o setor aeroespacial.

A cooperação bilateral surge num momento em que Portugal está a rever a Lei de Programação Militar, frisou Nuno Melo, acrescentando que o país terá de reforçar as suas capacidades em vários domínios.

O ministro defendeu igualmente o reforço do pilar europeu de defesa da NATO, considerando que a Europa tem de ser capaz de dar respostas mais robustas no atual contexto geopolítico. Portugal atingiu pela primeira vez os 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de investimento em Defesa em 2025, recordou, sublinhando que o compromisso com essa meta remonta a 2014.

Cooperar com a Ucrânia

Sobre a Ucrânia, Nuno Melo reafirmou o compromisso português com a formação de militares, a entrega de equipamento e as contribuições financeiras, incluindo um investimento de 50 milhões de euros através do programa PEARL.

"Cada cêntimo que nós entregamos à Ucrânia em material, informação e equipamento não é despesa, é investimento", apontou, defendendo que o apoio a Kiev contribui para proteger a democracia, a liberdade e o modo de vida europeu.

A declaração assinada pelos dois ministros prevê o reforço da coordenação em atividades militares e não militares, nomeadamente no desenvolvimento e produção de armamento, investigação, inovação e aquisição de equipamento, incluindo através da utilização de infraestruturas dos dois países.

Portugal e Alemanha convergem no domínio aéreo e terrestre

O documento contempla ainda a cooperação na formação, em exercícios e operações conjuntas, a partilha de informação estratégica e a identificação de ameaças nos domínios marítimo, terrestre, aéreo, espacial e cibernético. Portugal e Alemanha pretendem também cooperar na proteção das rotas marítimas internacionais e contribuir para a sustentabilidade e capacidade das forças ucranianas.

Os dois países condenam a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, considerando-a uma grave violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e reafirmam o papel da NATO como pedra angular da dissuasão e defesa comuns e pilar fundamental da segurança europeia e transatlântica.

Boris Pistorius sublinhou a relação de confiança entre os dois países, que disse existir "há muitos anos".