Portugal sem comboios da CP a circular pelo segundo dia consecutivo

FECTRANS adianta que a paralisação total deve manter-se "até ao final do dia".

Pelo segundo dia consecutivo, não há comboios da CP - Comboios de Portugal a circular esta quinta-feira devido à greve de trabalhadores em curso.

Em declarações a esta rádio, o coordenador da Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), José Manuel Oliveira, confirmou que a adesão à greve causou a "supressão da circulação ferroviária em Portugal".

"Achamos que vai continuar assim até ao final do dia", adiantou o mesmo responsável, que fala de uma adesão à greve "nalguns casos maior" do que a registada esta quarta-feira.

Esta participação dos trabalhadores na greve é, para José Manuel Oliveira, um sinal de "revolta que está à vista de todos" após um "acumular de descontentamento".

FECTRANS faz o balanço do dia de greve

"Numa empresa em que aumentam as receitas, aumenta o número de passageiros, em que tudo aumenta e em que o Governo diz que tem projetos para o futuro, pelos vistos tudo isto é assegurado com menos trabalhadores, sem qualquer valorização e, aliás, com um aumento salarial este ano inferior ao que foi o aumento do salário mínimo nacional", nota.

A FECTRANS critica ainda o Governo e a CP por terem chamado a reunir durante a tarde desta quarta-feira "sem nada de novo" para colocar em cima da mesa e que "permitisse a construção de algumas ideias com vista à obtenção de acordo".

"Não percebemos, não sabemos se foi uma encomenda do Governo para responder ao nosso desafio, se foi um mero exercício da administração a tentar, no fundo, que suspendêssemos uma greve em troca daquilo que já está em cima da mesa", lamenta José Manuel Oliveira, que defende ser preciso encontrar forma de cumprir o acordo salarial firmado a 24 de abril. 

Esta manhã, Júlio Marques, da Associação Sindical das Chefias Intermédias de Exploração Ferroviária (ASCEF), que integra os 14 sindicatos que convocaram a greve, também adiantou à agência Lusa que, pelas 7h30, a adesão ao segundo dia de greve dos trabalhadores da CP era 30 de 100%, com toda a circulação parada.

“Tal como no primeiro dia de greve a adesão é de 100%. Não houve desenvolvimentos. Não houve cedências nem da parte do Governo, nem da parte da CP, portanto a greve mantém-se”, disse.

Esta paralisação foi convocada contra a imposição de aumentos salariais “que não repõem o poder de compra”, pela “negociação coletiva de aumentos salariais dignos” e pela “implementação do acordo de reestruturação das tabelas salariais, nos termos em que foi negociado e acordado”, segundo os sindicatos (14).

Na quarta-feira, a CP lamentou o impacto que a greve está a ter na vida dos passageiros e disse ter contestado, junto do Tribunal da Relação de Lisboa, a ausência de serviços mínimos.

“A CP – Comboios de Portugal lamenta os graves transtornos e impactos que as greves em curso estão a trazer ao dia a dia de todos os seus clientes”, afirmou, em comunicado, acrescentando estar consciente dos danos causados.

A circulação de comboios está hoje a sofrer perturbações, que se devem continuar a sentir até 14 de maio, devido a greves de trabalhadores da CP, convocadas por vários sindicatos.

O Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social não decretou serviços mínimos para esta greve, uma decisão que a empresa adiantou na quarta-feira ter contestado junto do Tribunal da Relação de Lisboa, tendo em conta que a paralisação afeta o acesso ao trabalho, saúde e educação.

A greve de quarta-feira e hoje foi convocada pela Associação Sindical das Chefias Intermédias de Exploração Ferroviária (ASCEF), a Associação Sindical Independente dos Ferroviários da Carreira Comercial (ASSIFECO), a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), o Sindicato Nacional dos Transportes Comunicações e Obras Públicas (FENTCOP), o Sindicato Nacional dos Ferroviários do Movimento e Afins (SINAFE), o Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia (SINDEFER), o Sindicato Independente dos Trabalhadores Ferroviários das Infraestruturas e Afins (SINFA), o Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários (SINFB), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Transportes e Indústria (SINTTI), o Sindicato Independente dos Operacionais Ferroviários e Afins (SIOFA), o Sindical Nacional de Quadros Técnicos (SNAQ), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF), o Sindicato dos Transportes Ferroviários (STF) e o Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Ferroviários (STMEFE).

A esta paralisação junta-se a que foi convocada pelo Sindicato dos Maquinistas (SMAQ) e a convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI).

Serão assegurados os serviços necessários à segurança e manutenção do equipamento e das instalações, os serviços de emergência, os comboios de socorro e todas as composições que tenham iniciado a sua marcha deverão ser conduzidas ao seu destino.