Portugal sem estratégia nacional para cuidado e reabilitação do AVC

Assinala-se esta terça-feira o Dia Nacional do Doente com AVC.

Portugal continua sem uma estratégia nacional que assegure o cuidado e a reabilitação adequados após um acidente vascular cerebral (AVC), apesar dos compromissos assumidos no Plano de Ação para o AVC na Europa (2021-2030). O alerta é da Portugal AVC – União de Sobreviventes, Familiares e Amigos, que critica a ausência de medidas concretas para cumprir as metas europeias.

O documento europeu define objetivos claros, instando os países a criarem políticas abrangentes de prevenção, tratamento e reabilitação. No entanto, segundo a associação, Portugal “continua muito aquém das metas a que se comprometeu”, tanto no acesso a cuidados especializados como na continuidade do apoio à recuperação.

O internamento em Unidades de AVC — reconhecidas como essenciais para reduzir a mortalidade e a incapacidade — cobre atualmente apenas 40% a 50% dos casos no país. A meta europeia para 2030 é de 90%.

“Tem consequências muito gravosas, na sobrevida, no tratamento o mais eficaz possível, e no início quase imediato do processo de reabilitação e na continuidade adequada do mesmo, aspetos essenciais para minorar a eventual incapacidade”, refere António Conceição, presidente da Portugal AVC. “Está cientificamente provado que esta é a medida isolada mais eficaz para reduzir a morte e a incapacidade após um AVC”, acrescenta, citando a Organização Europeia do AVC.

A associação sublinha ainda que Portugal não implementou a estratégia nacional de acesso à reabilitação prevista no Plano Europeu e reforçada pela Resolução da Assembleia da República n.º 339/2021, que permanece sem execução.

Para António Conceição, esta é “uma medida fundamental e muito urgente”. E acrescenta: “Custa crer como ainda não foi entendido que estas medidas não podem ser encaradas como um custo, mas como um investimento com retorno imediato — com benefícios claros para os sobreviventes, as famílias, a sociedade e o próprio Estado.”

Para destacar os desafios, a reabilitação, o regresso à vida profissional e social, o papel dos cuidadores e à realidade do AVC que a Portugal AVC, com o apoio da AbbVie, promove o Prémio de Jornalismo sobre o Acidente Vascular Cerebral, que este ano foram para:

1.º - “Esta doença não é (só) para velhos”, de Raquel Morão Lopes, da Antena 1 e 3

2.º - “AVC. Sobreviver. Lutar. Trabalhar”, de Sara Dias Oliveira, do Notícias Magazine/JN

3.º - “Tempo é cérebro”, de Inês Linhares Dias, da Antena 1 e Antena 1 Açores

Lançamento de Bolsa de Investigação

Esta terça-feira, Dia Nacional do Doente com AVC, a Portugal AVC vai lançar uma Bolsa de Investigação para incentivar e premiar trabalhos científicos que tenham como objetivo a melhoria da qualidade da “Vida após AVC”. O regulamento está disponível em www.portugalavc.pt.