Preços dos adubos afetam agricultores mas Bruxelas afasta cenário de escassez

A Comissão Europeia responde a uma pergunta escrita da eurodeputada do CDS.

A Comissão Europeia disse hoje que a recente escalada dos preços dos fertilizantes está a afetar os agricultores, mas afasta o cenário de escassez no mercado.

Em resposta a uma pergunta escrita da eurodeputada do CDS, Ana Pedro, o executivo comunitário refere que “embora não se preveja uma escassez imediata para as colheitas de 2026, a maior volatilidade a nível mundial está a afetar os preços dos adubos para os agricultores”.

Bruxelas está “acompanhar de perto o impacto da atual situação geopolítica nos mercados de adubos, nomeadamente através do Observatório do Mercado de Fertilizantes da UE. O impacto na UE permanece limitado, devido à baixa dependência direta das importações do Médio Oriente, à existência de ‘stocks’ suficientes e ao facto de a produção nos principais países fornecedores, como o Egito e a Argélia, não ser afetada”.

A Comissão lembra ainda que já tomou medidas como a redução de 1% na taxa de carbono aplicada aos fertilizantes e a suspensão de tarifas aduaneiras às importações de amoníaco, ureia e outros adubos azotados, dentro de determinados contingentes, por um período de um ano.

A Comissão adotou também recentemente um enquadramento para os auxílios estatais no contexto da crise no Médio Oriente, a fim de apoiar tanto os agricultores como as indústrias com utilização intensiva de energia.

Em 19 de maio de 2026, Bruxelas adotou o Plano de Ação para os Fertilizantes, que estabelece medidas a curto e longo prazo para melhorar a disponibilidade, a acessibilidade dos preços e a resiliência do setor dos adubos.

As ações a curto prazo incluem a mobilização e o eventual reforço da reserva agrícola, o apoio à liquidez no âmbito da PAC e mais flexibilidade no pagamento de adiantamentos. O plano apoia igualmente projetos de biogás e biometano destinados a reduzir as dependências energéticas e de nutrientes.

A atual crise no Médio Oriente, iniciada em 28 de fevereiro com o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão, provocou o disparo dos preços da energia e dos fertilizantes, nomeadamente com as interrupções ditadas por Teerão à navegação no estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.