Prémios Sophia apostam na renovação e no reconhecimento da comédia no cinema português
A Academia Portuguesa de Cinema introduziu, este ano, o Prémio Filme de Comédia. O Prémio Carreira vai ser entregue ao ator e encenador Rui Mendes.
A cerimónia dos Prémios Sophia regressa esta sexta-feira ao Centro Cultural de Belém com novidades que pretendem reforçar o reconhecimento do cinema português e aproximá-lo do público. Entre as principais mudanças desta edição está a criação da categoria de Melhor Filme de Comédia, uma estreia absoluta nos galardões atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema.
Em entrevista, a presidente da Academia, Carla Chambel, destacou que esta nova distinção surge da necessidade de valorizar um género frequentemente afastado das principais nomeações.
“Sentimos que muitas vezes os profissionais que se dedicam a esta linguagem não têm um espaço de reconhecimento e, portanto, sentimos que era uma forma também de lhes dar esse espaço que é muito merecido.”
Para Carla Chambel, a criação deste prémio pode também ajudar a alterar a perceção institucional sobre a comédia em Portugal, sobretudo ao nível do financiamento.
“Pretendemos também chamar um bocadinho a atenção para os próprios financiamentos que estes filmes muitas vezes procuram e que têm de trabalhar muito para conseguir, porque infelizmente ainda não existe um apoio institucional dedicado a este tipo de linguagem.”
A responsável acredita ainda que esta distinção poderá influenciar futuras decisões políticas, abrindo portas a uma maior valorização de géneros cinematográficos que, segundo sublinha, “estão a florescer em grande pujança”.
Além da nova categoria, a cerimónia contará com alterações em algumas denominações de prémios, numa tentativa de aproximar os Sophia dos modelos internacionais. Carla Chambel revelou também que a gala voltará a apostar na componente musical, com atuações especialmente concebidas para a ocasião.
Um dos pontos altos da cerimónia será a entrega do Sophia de Carreira a Rui Mendes. Carla Chambel descreveu o ator como uma figura transversal da cultura portuguesa, elogiando não apenas o seu percurso artístico, mas também o seu contributo para os direitos dos intérpretes e para a formação de novas gerações.
“Ele representa não só o ator que fez tanto no cinema, como na televisão e no teatro, mas também como encenador deixou um trabalho muito significativo.”
A presidente da Academia falou ainda da ligação pessoal que mantém com Rui Mendes, que foi seu professor no conservatório, considerando que esta homenagem reflete “o carinho que sentimos todos por ele”.
Sob o tema “Projetar o Presente, Imaginar o Futuro”, a edição deste ano procura também lançar uma reflexão sobre o caminho do cinema nacional. Para Carla Chambel, o grande desafio continua a ser aproximar o público português das produções nacionais.
“Desejaria um futuro mais próximo do público, ou seja, que o público se apaixonasse pelo cinema português tanto quanto os próprios profissionais que o concretizam se apaixonam por ele.”
Apesar de reconhecer o prestígio internacional alcançado pelo cinema português nos últimos anos, a atriz e dirigente defende que esse reconhecimento deve traduzir-se numa maior valorização interna.
“As histórias que temos para contar dizem respeito ao público, têm a ver com a nossa identidade e com a nossa maneira de estar no mundo.”
A cerimónia dos Prémios Sophia decorre esta sexta-feira, numa edição marcada pela renovação, pela celebração da memória e pela tentativa de projetar o cinema português para um futuro mais próximo dos espectadores.
