Presidente da República evoca poeta Eduardo Pitta e transmite condolências

O porta, escritor e ensaísta Eduardo Pitta morreu na terça-feira aos 73 anos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evocou hoje Eduardo Pitta, que morreu na terça-feira aos 73 anos, destacando o seu trabalho como poeta, ficcionista, crítico, cronista e memorialista, e transmitiu as suas condolências.


Numa nota publicada no 'site' da Presidência, o chefe de Estado assinala o percurso de Eduardo Pitta, apontando que "nasceu em 1949 numa Lourenço Marques [atual Maputo] onde a vida era diferente da vida na metrópole, mais espaçosa, mais livre, menos vigiada pela censura, de inclinação mais anglófona e com um mais amplo acesso à literatura e à cultura contemporâneas (através nomeadamente das boas livrarias laurentinas e sul-africanas)".

Na nota, é referido que o "poeta, ficcionista, crítico, cronista, memorialista" foi viver para Portugal em 1975, um ano depois da sua estreia como poeta.

"Tal como já acontecera em Moçambique, manteve colaboração regular na imprensa, destacando-se o trabalho como crítico literário nas revistas «Ler» e «Colóquio-Letras», textos depois reunidos em volumes que constituem uma breve história da poesia portuguesa de três décadas", acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República assinala igualmente que "a sua própria poesia, culta, concisa, exata, por vezes agreste, tem como «marcas de água» (título de uma antologia de 1999) o fim do Império, o confessionalismo cifrado, as leis da atração e a condição homossexual, à qual dedicou também um ensaio pioneiro, «Fractura» (2003), e uma convicta militância sociopolítica.

"Ao seu marido apresento as minhas condolências", lê-se ainda.

O poeta, escritor e ensaísta português Eduardo Pitta morreu na terça-feira, aos 73 anos, em Torres Vedras, vítima de complicações decorrentes de AVC, disse à Lusa fonte da família.

O escritor, que fez da identidade homossexual matéria da sua criação literária, publicou desde 1974 dez livros de poesia, um romance, duas coletâneas de contos, quatro volumes de ensaio e crítica, duas recolhas de crónicas, dois diários de viagem e o livro de memórias "Um Rapaz a Arder".