Primeiro Master of Wine português quer ajudar "a vender e a trabalhar melhor" o vinho nacional

Tiago Macena lembrou que este estatuto era um objetivo que procurava desde 2017.

O primeiro Master of Wine português, Tiago Macena, considera que fazer parte “deste clube” vai permitir-lhe ajudar “a vender melhor, a comunicar melhor, a trabalhar melhor” o vinho português, um setor “tão importante para a economia nacional”.

“Sem dúvida que ter um português, no caso sou eu – o que é um detalhe – com este título, fazendo parte deste clube, deste grupo, é relevante nessa perspetiva de poder, mais tarde, ao longo do tempo, ir ajudando todo um setor a vender melhor, a comunicar melhor, a trabalhar melhor o vinho português”, disse hoje à agência Lusa Tiago Macena.

Com 43 anos, o enólogo, consultor, produtor e empresário é natural da Guarda e trabalha atualmente na Região Demarcada do Dão.

É um dos sete novos Masters of Wine – mestres do vinho em português – aprovados pelo exigente Institute of Masters of Wine, sediado em Londres.

Tiago Macena lembrou que alcançar este estatuto era um objetivo que procurava há muito tempo, desde 2017.

“Estou muito feliz e realizado por ter conseguido conquistar este pináculo do conhecimento da minha área de trabalho, que é o vinho, mas também muito aliviado por, finalmente, este dia ter chegado”, confessou.

O enólogo guardense foi aprovado no exame prático do Institute of Master of Wine, em 2023, e enfrentou depois um exigente programa de estudos, que incluiu várias etapas de avaliação, provas cegas e investigação sobre as mais diversas dimensões do vinho.

“Foram anos de muito trabalho, muito estudo, muita prova e ajuda de muita gente, a começar pela família. É, por isso, um dia muito bom, é um dia alegre”, acrescentou.

Tiago Macena esclareceu que ser Master of Wine não é um grau académico, mas uma distinção que lhe permite integrar “um clube, para o qual temos que prestar provas práticas e teóricas tão abrangentes e exigentes”.

“Ou seja, provando o líquido pelo líquido, temos de mostrar que entendemos o vinho. Depois, é preciso saber tudo o que lhe diz respeito, da vinha à enologia, à comercialização, à conservação, a tudo o que, no mundo, faz variar este negócio, sejam o preço do petróleo, as guerras aqui e acolá, as tarifas, etc.”.

A prova final consistiu numa tese sobre o encruzado, uma casta do Dão a que quis “dar palco” perante uma plateia do Institute of Masters of Wine que, “se calhar, já tinha ouvido falar, mas dificilmente sabia o que era”.

“Foi a minha contribuição para o conhecimento do Dão e do encruzado no mundo do vinho. Tentei fazer uma fotografia atual do que esta casta representa para a região, o que vale para o Dão e o que pode vir a valer no futuro”, especificou o enólogo que trabalha no Dão “há quase 20 anos”.

Tiago Macena acredita que, a partir de agora, terá mais oportunidades de trabalho e vai mudar “a autoridade que a minha voz trará, no palco mundial do vinho, junto de quem me queira ouvir falar sobre vinho português, que é um setor tão importante para a nossa economia”.

O primeiro Master of Wine português também não esquece as origens e confessou que vai dedicar um “carinho mais do que especial” à Beira Interior.  

“Isso é certo e sabido, não é segredo para ninguém. Sempre o tenho feito. Conheço a região como a palma da minha mão, porque foi aí que cresci. Nunca trabalhei na Beira Interior desde que sou profissional, mas tenho feito trabalhos pontuais com a Comissão Vitivinícola e continuarei disponível”.

Tiago Macena é licenciado em Engenharia Agronómica, com especialização em Viticultura e Enologia, no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

Possui ainda uma pós-graduação em Wine Business na mesma instituição.

Atualmente, é enólogo da No Rules Wines, empresa produtora do vinho Código, no Dão, e da Tarelo Wines, no Pico, nos Açores, tendo antes trabalhado na Adega Marel, no Alentejo.