Primeiros anfíbios e répteis da Península Ibérica surgiram há 16 milhões de anos
Os investigadores identificaram 21 grupos de anfíbios e répteis, incluindo salamandras, sapos, crocodilos, tartarugas, lagartos e serpentes.
Os primeiros anfíbios e répteis começaram a surgir na Península Ibérica há 16 milhões de anos, revela um estudo internacional divulgado esta quinta-feira em que participou o paleontólogo português Vicente Crespo.
Vicente Crespo, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, e o espanhol Rafael Marquina-Blasco, da Universidade de Valência, analisaram 4.690 fósseis recolhidos em 42 jazidas.
Identificados 21 grupos de anfíbios e répteis
Os investigadores identificaram 21 grupos de anfíbios e répteis, incluindo salamandras, sapos, crocodilos, tartarugas, lagartos e serpentes.
O estudo publicado na revista científica “Fossil Record” concluiu que os achados datam de há cerca de 16 milhões de anos, no período do Miocénico Inferior, um período considerado crucial para a formação dos ecossistemas modernos.
A investigação vem “ajudar a preencher um dos maiores vazios de conhecimento sobre a evolução dos anfíbios e répteis na Península Ibérica, sendo mais um passo na reconstrução dos ecossistemas do Miocénico Ibérico, integrando agora estas espécies com os numerosos estudos anteriormente desenvolvidos sobre mamíferos fósseis da Bacia de Ribesalbes-Alcora”, afirmou o paleontólogo português citado n nota de imprensa divulgada hoje pela Universidade Nova de Lisboa.
Os investigadores poderão também ter identificado o género Pyrenasaurus, anteriormente conhecido apenas em depósitos do Eocénico, entre os 56 e os 34 milhões de anos atrás.
Se a hipótese for confirmada, “o registo prolongará significativamente a história evolutiva deste grupo, sugerindo uma maior estabilidade ecológica em determinadas regiões da Península Ibérica do que se pensava anteriormente”.
Com recurso a métodos paleoecológicos, o estudo permitiu ainda concluir que a região onde se situa o leste da Espanha era, em muitos períodos, “consideravelmente mais húmida do que atualmente”, apresentando níveis de precipitação superiores aos atuais, alternando entre fases mais húmidas e períodos relativamente mais secos, em concordância com estudos anteriores realizados sobre os mamíferos fósseis da mesma bacia.
