Prisão preventiva para homem que terá atirado cocktail molotov contra Marcha Pela Vida

Homem de 39 anos foi detido por tentativa de prática de crimes terroristas, posse de arma proibida, incêndio e explosão.

O homem detido na quarta-feira por infrações terroristas por ter alegadamente atirado um cocktail molotov contra a Marcha Pela Vida, em março, vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, decidiu hoje o tribunal.

A informação foi prestada à Lusa por fonte judiciária, tendo a medida de coação sido aplicada pelo Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

O homem, de 39 anos, foi detido na quarta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), por "tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas", posse de arma proibida, incêndio, explosão e "outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física".

O suspeito, militante do Partido Socialista (PS), já tinha sido detido pela PSP, por posse de arma proibida, no dia da manifestação contra o aborto, que decorreu a 21 de março, com final na Assembleia da República, em Lisboa, tendo na altura sido libertado pelo tribunal, obrigado a apresentar-se diariamente na esquadra.

A investigação transitou posteriormente para a PJ, que, após “dezenas de diligências para obter meios de prova”, executou na quarta-feira o mandado de detenção e outro de busca e apreensão, no âmbito do qual foram apreendidos “diversos elementos denunciadores de um móbil ideológico”.

Um 'cocktail molotov' é um engenho incendiário artesanal fabricado com uma garrafa de vidro, líquidos inflamáveis e um pano embebido no mesmo combustível.

O homem não participava no protesto e terá atirado um 'cocktail molotov' com gasolina na direção dos manifestantes, referiu na altura, numa nota, a PSP.

O engenho incendiário não deflagrou, mas gerou “um clima de alarme e perturbação no local”, tendo algumas pessoas sido atingidas pelo líquido inflamável.

No momento do arremesso, participavam na Marcha Pela Vida cerca de 500 pessoas, incluindo crianças.

O homem foi suspenso preventivamente pelo PS, anunciou na quarta-feira o partido, acrescentando que, “a confirmarem-se os factos poderá ser aplicada a expulsão” ao militante socialista.

“O PS não pactua com nenhum tipo de violência e considera absolutamente intolerável qualquer ato que possa consubstanciar um comportamento desse tipo”, concluiu o partido.