Privado fez mais de metade dos partos em Lisboa. Obstetras pedem abertura permanente das urgências

Mais de metade dos partos registados na região de Lisboa e Vale do Tejo, em 2023, foram feitos pelo setor privado. Obstetras e ginecológicas sublinham a adoção de várias medidas por parte do governo, mas dizem que não chega.

Os hospitais privados fizeram em 2023 mais de metade dos partos em Lisboa. Dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística, revelados hoje pelo Jornal de Notícias (JN), mostram que dos mais de 18 mil partos realizados na capital em 2023, 56% foram feitos no privado. É um aumento de 12% numa década.

O presidente da Federação das Sociedades Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia não fica surpreendido com estes números, já que diz que “esta tem sido a tendência”.

Diogo Ayres de Campos sublinha que as grávidas têm sentido a instabilidade no Serviço Nacional da Saúde (SNS) e lembra que há dois anos a implementação do “sistema rotativo das maternidades” trouxe “alguma sensação de insegurança à população que deixou de sentir que o SNS dava a resposta necessária”.

Diogo Ayres de Campos fala da instabilidade nas urgências do SNS

O também diretor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, pede medidas de fundo para inverter esta tendência de ter urgências de obstetrícia e ginecologia encerradas.

“O facto de se ter introduzido a pré-triagem telefónica obrigatória [para as grávidas] criou mais segurança no sistema. As pessoas sabem que podem sempre ligar para o SNS e que serão orientadas para as urgências que estão abertas. Mas, eu acho que se tem de ir mais longe. Algumas medidas já foram anunciadas pelo governo, mas não chega. Tem de se ter a certeza de que nos hospitais que têm maternidades que essas maternidades estão sempre abertas 24 sob 24 horas”, sustenta Ayres de Campos.

Médicos pedem abertura permanente das urgências

De acordo com os dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística, revelados hoje pelo JN, em segundo lugar na lista dos municípios com mais partos está o Porto, onde em 2023 houve mais de 7700 mil. 35% dos quais foram no privado, o que mostra um aumento de 5% em 10 anos. A média nacional na proporção de partos no privado em relação ao público fixou-se, em 2023, pelos 18,2%. Braga ficou em terceiro lugar com 10%.