Problemas do uso da IA na gestão de pessoas alvo de estudo em Coimbra

O projeto, intitulado GENDEII reúne 109 investigadores de 24 instituições de 10 países da Europa e da América Latina.

Os possíveis problemas do uso da inteligência artificial (IA) na gestão de pessoas é um dos temas de um estudo científico internacional, ao qual a Universidade de Coimbra (UC) estará associada nos próximos quatro anos, foi hoje anunciado.

O projeto, intitulado GENDEII (acrónimo em inglês, ligado aos indicadores de género, diversidade, equidade e inclusão em empresas tecnológicas europeias e latino americanas), reúne 109 investigadores e representantes institucionais de 24 instituições de 10 países da Europa e da América Latina, entre universidades, empresas e organizações da sociedade civil, referiu o Centro de Estudos Sociais (CES) da UC, numa nota enviada à agência Lusa.

“Entre outras dimensões, o estudo científico irá abordar o recrutamento e seleção, a retenção, o desenvolvimento de carreira, o acesso à liderança, a acessibilidade dos contextos de trabalho e os possíveis enviesamentos associados à utilização de IA na gestão de pessoas”.

“Ao longo de quatro anos [até 2030], o GENDEII trabalhará com empresas do setor tecnológico para desenvolver o Manual de Indicadores de Género, Diversidade, Equidade e Inclusão para o Setor Tecnológico, bem como programas de formação dirigidos a líderes e equipas”, visando combater eventuais desigualdades.

Na quinta-feira, a partir das 14:00, a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) recebe um seminário sobre o projeto, com a presença de investigadores e de representantes de empresas e organizações do ecossistema tecnológico e industrial, “para debater desafios concretos ligados à atração e retenção de talento, à progressão profissional, ao acesso à liderança, à diversidade e inclusão, e à utilização crescente da inteligência artificial na gestão de pessoas e organizações”.

O encontro assinala também a criação, pela equipa do CES, do GENDEII Corporate Innovation Council, “uma comunidade de práticas que visa assegurar um diálogo contínuo entre investigação e organizações ao longo do projeto”.

“Não queremos que as empresas sejam apenas destinatárias dos resultados do projeto. Pretendemos envolvê-las desde o início na identificação dos problemas e na construção de instrumentos que sejam cientificamente sólidos, mas também úteis e aplicáveis às organizações”, frisou, citada no comunicado, Rosa Monteiro, investigado