Professores portugueses são dos mais insatisfeitos com salários

Estudo da OCDE, conhecido esta terça-feira, mostra que docentes portugueses são dos mais descontentes dentro do grupo de países da OCDE.

Resumo IA

• Os professores portugueses são os mais insatisfeitos com os salários na OCDE, com apenas 13,4% satisfeitos.

• Apenas 39,1% estão contentes com as condições de trabalho, muito abaixo da média da OCDE.

• O Ministério da Educação está a implementar iniciativas para atrair jovens professores e reter os mais velhos.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

Os professores portugueses são os mais insatisfeitos com os salários quando comparados com colegas dos outros países da OCDE, segundo a nova edição do “Education at a Glance 2026”.

“Os sistemas educativos são tão fortes quanto os seus professores”, defende Mathias Cornmann, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Economio (OCDE) no editorial publicado no estudo internacional, cujo tema transversal é a escassez de docentes no mundo.

Apenas 13,4% dos professores portugueses estão contentes com o seu salário, segundo o estudo da OCDE, que coloca Portugal no último lugar desta tabela.

Os docentes portugueses também são dos que mais se queixam das condições de trabalho: Se na OCDE, 68,4% está feliz com as condições de trabalho, em Portugal são apenas 39,1%. Pior que os portugueses, só os japoneses, segundo o documento hoje divulgado.

A situação é bem diferente da vivida no país vizinho, onde 71,5% dos professores espanhóis do 3.º ciclo estão satisfeitos com as condições de emprego e 54,2% com o salário.

Mas estes não são os únicos problemas relatados no estudo. Em Portugal os salários de quem entra na carreira caíram 10% na última década, enquanto na OCDE estão a ganhar, em média, mais 20% quando comparado com o que ganhavam em 2015. Para os investigadores, estes dados podem ajudar a explicar as dificuldades de recrutamento.

Mas os investigadores acreditam que em breve haverá menos necessidade de professores, uma vez que há menos crianças entre os 10 e os 14 anos na grande maioria das regiões portuguesas mais pequenas.

O estudo mostra ainda que tem havido um pequeno aumento do número de professores - entre 2015 e 2024 cresceu 1% nas escolas de 1.º e 2.º ciclos - enquanto o número de alunos caiu 8%, segundo dados oficiais que levam a OCDE a projetar uma redução de 6% da população dos 5 aos 14 anos em Portugal entre 2024 e 2033.

A redução do número de crianças leva os investigadores a concluir que poderá haver “uma menor procura de professores, caso as restantes políticas se mantenham inalteradas”.

No entanto, por enquanto, a falta de professores nas regiões de Lisboa, Setúbal e Algarve continuam a deixar milhares de alunos sem aulas, estando o Ministério da Educação a desenvolver várias iniciativas para atrair jovens para a profissão e para que os docentes mais velhos adiem a reforma.

A falta de professores é um problema global que assume diferentes formas consoante os países.

O estudo aponta várias vertentes desta escassez: Há países que se debatem com vagas por preencher, outros que recorrem a professores sem todas as qualificações ou que tentam combater o envelhecimento desta classe e a pouca atratividade da profissão.

Portugal distingue-se por conseguir reunir grande parte dos problemas, desde o envelhecimento à dificuldade de renovar os profissionais com jovens professores, à baixa satisfação profissional e salarial e à deterioração dos salários de quem é novo na carreira.

Os números colocam Portugal, juntamente com a Grécia, como os que apresentam mais problemas de envelhecimento, já que na média da OCDE 20% dos professores do secundário têm menos de 35 anos.

Em 2024, 38% dos docentes do 3.º ciclo e secundário de escolas portuguesas tinham mais de 55 anos, contra 25% da média dos países da OCDE que disponibilizaram dados.

Por outro lado, apenas 6% tinha menos de 35 anos, segundo o estudo que confirma dados já conhecidos.