Promotor anuncia arranque da dessalinizadora do Algarve

Estação de Dessalinização de Água do Mar vai começar por ter capacidade para produzir 16 hectómetros cúbicos de água por ano, podendo ser ampliada para 24.

A construção da dessalinizadora do Algarve, em Albufeira, arranca na próxima semana e deverá estar concluída em 2028, após ter sido formalizado na terça-feira o início da empreitada pública, informou esta quinta-feira a Águas do Algarve.

O auto de consignação da obra, orçada em 108 milhões de euros, foi assinado na terça-feira pela empresa, promotora da obra, e o empreiteiro, o consórcio luso-espanhol formado pelas empresas Luságua, Aquapor e GS Inima, indicou o promotor em comunicado.

O consórcio de empresas vai ficar responsável pela exploração do empreendimento por um período de três anos, depois da conclusão da obra, lê-se numa nota da Águas do Algarve.

Segundo a entidade responsável pelo sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento da região, o início dos trabalhos foi autorizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), “após concluir a avaliação dos elementos prévios previstos na Decisão de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (DCAPE), emitida em novembro de 2025.

A viabilidade do projeto está, contudo, “condicionada ao cumprimento de um conjunto rigoroso de medidas de mitigação, minimização, monitorização e compensação ambiental”, refere.

A infraestrutura integra a estratégia nacional de reforço da segurança hídrica e de adaptação às alterações climáticas, visando garantir uma nova origem de água potável para o Algarve, uma região particularmente vulnerável à seca.

A Estação de Dessalinização de Água do Mar (EDAM) terá numa primeira fase capacidade para produzir 16 hectómetros cúbicos de água por ano, podendo ser ampliada para 24 hectómetros cúbicos.

“Este reforço será determinante para assegurar o abastecimento público, apoiar as atividades económicas e reduzir a pressão sobre as reservas de água doce, constituindo uma origem alternativa robusta e estratégica”, assegura a empresa.

O processo recorrerá à tecnologia de dessalinização e a sistemas de eficiência energética, incluindo recuperação de energia, para reduzir o impacto ambiental.

De acordo com o promotor, o projeto inclui ainda medidas de proteção dos ecossistemas marinhos e terrestres, bem como ações de salvaguarda e acompanhamento de eventuais achados arqueológicos, culturais ou paisagísticos durante a obra.

A dessalinizadora do Algarve, a primeira estação de dessalinização de água do mar para abastecimento público em Portugal Continental, está integrada no Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve, enquadrado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).