Próximo governo italiano será "instável"
O especialista em assuntos políticos, Carlos Jalali, prevê um governo de coligação à direita com "tendência para fragmentar" e com implicações para a Europa.
As projeções sobre as eleições italianas apontam para a vitória do Movimento Cinco Estrelas, mas sem maioria absoluta.
O Movimento foi o mais votadado nas eleições de ontem, em Itália, com mais de 30 por cento dos votos, sendo que ainda não terminou a contagem dos mesmos. Terminada a contagem de votos e sem maiorias absolutas, o politólogo Carlos Jalali, considera que será um "processo negocial longo, mas [que] não deverá levar tanto tempo como na Alemanha, uma vez que há mais opções". Mas qualquer que seja o desfecho "o próximo governo italiano será instável e com tendência para fragmentar mais cedo do que tarde".
Para o politólogo Carlos Jalali, "esta fuga dos eleitores dos partidos centristas para o Movimento Cinco Estrelas reflete uma mensagem contra os partidos que têm dominado a política italiana".
Um dos cenários prováveis será um entendimento à direita, "vamos ter um processo com cedências de parte a parte. A questão é saber se é possível criar uma maioria parlamentar sem necessitar de uma coligação com o Movimento 5 Estrelas". Carlos Jalali, que também é professor na Universidade de Aveiro, acredita que "as dinâmicas coligacionais serão muito diferentes das anteriores".
O politólogo considera que não haverá entendimento entre o Movimento Cinco Estrelas e os partidos à esquerda, "tendo em conta aquilo que tem sido o discurso do Movimento que se coloca à margem dos partidos tradicionais".
Carlos Jalali antevê vários cenários, sendo que o mais provavel será o "entendimento à direita", este terá implicações para a Europa, "em termos de um posicionamento menos pró-europeu" e em relação à questão da emigração e a crise dos refugiados.
De acordo com Carlos Jalali, "o desejável para Bruxelas" seria um governo que apoiasse "as tentativas de reforma a nível europeu, podendo ser um parceiro de Emmanuel Macron e de certa forma compensar o enfraquecimento de Angela Merkel". Mas para o professor univeritário e especialista em assuntos politicos, "não é isso que vai acontecer, o mais provavel é que seja um primeiro-ministro que se vai colocar um pouco à margem ou mesmo contra" as discussões europeias.
Assim sendo, Carlos Jalali conclui que para os defensores do projeto europeu, este "não é o resultado desejável" para as instituições da União Europeia.
