PSD diz que pedido de adiamento mostra que Costa “não está de consciência tranquila”

António Costa pediu mais tempo para dar esclarecimentos sobre as alegadas interferências na atuação do Banco de Portugal e Banif.

O líder parlamentar do PSD afirmou hoje que o pedido de António Costa de mais tempo para responder às perguntas sociais-democratas demonstra que o primeiro-ministro “não está de consciência tranquila” quanto à sua atuação no Banco de Portugal e Banif.

“O Governo que todas as semanas está enredado e casos e trapalhadas – e agora em mais uma situação grave com a secretária de Estado do Tesouro – está de facto sem orientação, sem rumo. E o dr. António Costa mostra, com este adiamento, que não está de consciência tranquila relativamente ao que foi a sua atuação no que concerne ao Banco de Portugal e ao Banif”, afirmou à Lusa Joaquim Miranda Sarmento.

O primeiro-ministro pediu o prolongamento do prazo inicial de 30 dias para responder às perguntas do PSD, enviadas em 23 de novembro, sobre uma eventual intromissão política do Governo no Banco de Portugal e Banif, de acordo com um documento a que a Lusa teve hoje acesso.

Em reação a este pedido, Miranda Sarmento notou que António Costa “foi muito rápido a anunciar que ia colocar um processo ao antigo governador do Banco de Portugal e agora é muto lento a responder aos esclarecimentos que país e Assembleia da República exigem”.

“Foi o próprio dr. António Costa e o PS que disseram que a resposta seria rápida e esclarecedora. Rápida já não será, esperamos que seja esclarecedora sobre as interferências do dr. António Costa junto do Banco de Portugal, quer relativamente a Isabel Santos quer, mais grave, relativamente ao processo de venda e resolução do Banif”, acentuou, por outro lado.

Questionado se o PSD não considera válida a justificação apresentada pelo primeiro-ministro – estar ainda a decorrer a recolha de informação -, o líder parlamentar do PSD salientou que António Costa tinha um prazo regimental de 30 dias e “todos os recursos do Governo e do seu gabinete” à disposição.

Questionado até quando está o PSD disponível para aguardar – o Regimento do parlamento não impõe novo prazo em casos de pedidos de prorrogação -, Miranda Sarmento salientou que “há bom senso”, desejando que já não seja necessário aguardar muito mais.

“Mantemos o que dissemos desde o início: aguardamos pelas respostas para decidir que passo seguinte daremos e não abdicamos de nenhuma figura do Regimento, mas primeiro queremos conhecer as respostas”, afirmou Miranda Sarmento, que, há cerca de um mês, não excluiu a possibilidade de o partido avançar para um inquérito parlamentar se os esclarecimentos não forem suficientes.

O grupo parlamentar do PSD dirigiu, em 23 de novembro, 12 perguntas ao primeiro-ministro para esclarecer declarações do ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa, quer sobre a resolução do Banif, quer sobre o afastamento da empresária Isabel dos Santos do BIC.

O Regimento da Assembleia da República precisa que “o Governo e a Administração Pública devem responder com a urgência que a questão justificar, não devendo a resposta exceder os 30 dias”.

“Sempre que o Governo ou a Administração Pública não possam responder no prazo fixado, devem comunicar este facto por escrito ao Presidente da Assembleia, apresentando a respetiva fundamentação também por escrito”, acrescenta-se.

O ofício a que a Lusa teve hoje acesso, com data de 23 de dezembro (último dia do prazo regimental para a resposta), foi enviado do gabinete da ministra dos Assuntos Parlamentares para o do presidente da Assembleia da República.

“Encarrega-me a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares de solicitar, conforme informação proveniente do gabinete do Senhor Primeiro-Ministro, a prorrogação do prazo de resposta da Pergunta n.º 900/XV/1.ª, de 23 de novembro de 2022, apresentada pelo Grupo Parlamentar do PSD”, refere o documento.

No mesmo texto, justifica-se o pedido por “estar ainda em curso a recolha de informação para resposta à mesma, que se reveste de alguma complexidade por reportar a acontecimentos ocorridos há mais de 6 anos”.