Psicólogo português apoia população "traumatizada" na Faixa de Gaza num "cenário apocalítico"
Raul Manarte está em Gaza ao serviço da organização Médicos Sem Fronteiras.
Raul Manarte é gestor de atividades de saúde mental da Médicos Sem Fronteiras (MSF) e decidiu aceitar o desafio de dar apoio a uma população completamente "traumatizada" na Faixa de Gaza, perante a "apatia da comunidade internacional".
O psicólogo português trabalha no hospital de Nasser, na região de Khan Younis.
"Temos muitos casos de queimaduras, ferimentos de explosivos e de bala. Temos muita gente amputada, incluindo crianças. A nossa missão é dar apoio a estas pessoas que estão profundamente traumatizadas", diz.
Raul Manarte relata várias situações complicadas: "Temos dois irmãos, de 8 e 10 anos, que vieram do Norte de Gaza. O rapaz não falava porque viu os pais morrerem à sua frente e tem as pernas completamente queimadas da explosão"
As necessidades da população da Faixa de Gaza são urgentes, mas o apoio humanitário é reduzido e demora a chegar.
"Há uma certa apatia da comunidade internacional para aquilo que está a acontecer aqui", lamenta.
Raul Manarte descreve ainda um "cenário apocalítico" em Khan Younis onde as pessoas vivem em tendas e nem as zonas humanitárias estão a salvo da guerra. O próprio hospital foi atacado em fevereiro e ainda hoje se notam "os tiros nas paredes e os sinais de agressão".
Perante um cenário devastador, o português destaca ainda o facto da população não ter "o direito de se refugiar deste conflito".
As pessoas não podem fugir, porque "nenhuma fronteira está aberta". E há crianças que lhe pedem: "leva-me contigo".
O último balanço do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, aponta para mais de 43 mil mortos desde o início da guerra. A ofensiva de Israel em Gaza foi lançada na sequência do ataque do Hamas em território israelita a 7 de outubro de 2023.
