“Putin não fez nenhuma ameaça de retaliação nuclear, quando quer fá-lo diretamente”, explica investigador

A Rússia invadiu a Ucrânia há mil dias.

Carlos Gaspar, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, considera que o Presidente russo não quis deixar uma ameaça de retaliação com a assinatura do decreto que alarga a possibilidade de utilização de armas nucleares. A nova doutrina nuclear de Moscovo é assinada depois dos Estados Unidos terem autorizado Kiev a atacar solo russo com mísseis de longo alcance, no dia em que são assinalados os mil dias de guerra na Ucrânia. 

“A ligação entre a aprovação da nova doutrina nuclear e a conjuntura na guerra russo ucraniana parece-me um pouco excessiva, o presidente Putin não fez, como já fez no passado por esta altura nenhuma ameaça de retaliação nuclear contra a Ucrânia e os seus aliados em função de um novo passo na escalada militar”, explica o investigador. Carlos Gaspar adianta que está em causa a revisão de um documento fundamental da estratégia russa, o documento de doutrina nuclear. “Este documento revê e substitui a doutrina nuclear aprovada em 2020, está a ser debatido há vários meses pelos estrategas militares e pelos especialistas de política internacional da Rússia, havia propostas extremamente radicais que não foram adotadas nesta revisão da doutrina”, afirma.

O investigador sublinha que quando Putin quer fazer ameaças fá-lo diretamente. “A ligação entre a aprovação da nova doutrina nuclear e a conjuntura na guerra russo-ucraniana parece-me um pouco excessiva”, defende Carlos Gaspar.

Carlos Gaspar afirma que Putin não fez ameaça de retaliação

Suécia, Finlândia e Noruega distribuíram panfletos aos cidadãos com conselhos para se prepararem para uma eventual guerra. Carlos Gaspar considera que este é um sinal tranquilizador porque“ há pelo menos três países na Europa que percebem que a guerra regressou à Europa”.

Carlos Gaspar considera os panfletos um sinal tranquilizador