Partido de Putin perto de garantir maioria parlamentar com 90% dos votos apurados
Em 2020, o partido Rússia Unida reformou a Constituição e eliminou as cláusulas que impediam Vladimir Putin de se recandidatar em 2024.
O partido do Presidente russo Vladimir Putin, Rússia Unida (RU), tem praticamente garantida a maioria na câmara baixa do parlamento, após a contagem de mais de 90% dos votos, informou hoje a comissão eleitoral.
A formação governamental obteve 57,86% dos votos registados nas eleições legislativas realizadas nos últimos três dias — o que lhes garantiria cerca de 130 lugares na Duma — e lideram em 208 dos 225 círculos eleitorais, de acordo com a comissão eleitoral.
A Rússia utiliza um sistema misto em que metade dos lugares da Duma (225) é distribuída por listas partidárias e a outra metade por círculos eleitorais, totalizando 450 lugares na câmara baixa do Parlamento russo.
Desta forma, o RU ultrapassaria largamente os 301 lugares necessários para obter a maioria na Duma, o que permite a aprovação de reformas constitucionais.
O partido no poder, que chegou a conquistar 343 lugares em 2016, conta com 324 deputados na atual Duma.
Isto permitiu ao RU, em 2020, reformar a Constituição e eliminar as cláusulas que impediam o Presidente russo, Vladimir Putin, de se recandidatar em 2024, possibilitando-lhe manter-se no poder — caso o deseje — até 2036.
O Partido Comunista da Rússia é o segundo partido mais votado, com 13,84% dos votos, seguido pelos ultranacionalistas do Partido Liberal-Democrata, com 8,9%, e pelos liberais do partido Novas Pessoas, com 7,94%.
De acordo com estes dados, o quinto partido em disputa, o Rússia Justa, não garantiria um lugar no parlamento via listas partidárias, com 4,95% dos votos, mas poderia conquistar um lugar através dos círculos eleitorais.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, mostrou-se convencido de que o rumo diplomático do país não mudará após as primeiras eleições legislativas desde o início da guerra.
O único partido pacifista da Rússia, o Yabloko, excluído das listas partidárias, denunciou inúmeras irregularidades, em particular relacionadas com a impossibilidade de muitos russos votarem com boletins de voto e a obrigação de o fazerem por via eletrónica, um instrumento de fraude, segundo a oposição.
O líder do partido, Nikolai Rybakov, afirmou, após o encerramento das mesas de voto, que o Yabloko teria sido o segundo partido mais votado, caso tivesse figurado nos boletins de voto.
A oposição no exílio tinha apelado aos russos contrários à guerra para que apoiassem o Yabloko nos círculos eleitorais e qualquer partido que retirasse assentos ao RU nas listas.
