Qual é o impacto do Mundial2026 na economia portuguesa?

A competição decorre entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

O mundial de futebol joga-se na América, mas o impacto na economia portuguesa pode chegar aos 945 milhões de euros, conclui um estudo do IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing.

No documento, divulgado esta terça-feira, é referido que a dimensão do impacto económico vai depender da prestação da seleção portuguesa no Mundial2026.

"O nosso estudo indica que, no pior cenário, e o pior cenário é ficarmos pela fase de grupos, fazermos apenas três jogos, (...) o impacto económico na economia portuguesa iria ficar-se aqui pelos 380 milhões de euros. No cenário mais otimista, que é chegar à final e vencê-la, portanto, passarmos de três para oito jogos e sairmos de lá com esta conquista inédita, então este impacto pode chegar aos 945 milhões de euros na nossa economia", explica Daniel Sá, diretor executivo do IPAM.

O consumo doméstico surge como a principal categoria de impacto, representando 26% do total, seguido da restauração, com 15%, e da publicidade e media, com 14%.

"Nós vamos ver os jogos em casa, normalmente rodeados de amigos ou de família, ou vamos para fora de casa para os funparks, para restaurantes, para cafés ou para esplanadas e vamos comer e vamos beber. Nós compramos camisolas,  compramos cachecóis, fazemos apostas online, compramos e trocamos cromos, subscrevem-se canais, as marcas investem muito dinheiro em publicidade, pagam-se direitos de transmissão televisiva e até há uma fatia pequena de portugueses que vai meter-se num avião e vai aos Estados Unidos ver os jogos ao vivo", sublinha.

O diretor- executivo do IPAM destaca ainda o crescimento da componente digital, que já representa quase 25 por cento no modelo económico, "porque a maneira como consumimos futebol mudou ao longo dos anos."  Basta "recuar sessenta anos ao Mundial de 66 de Eusébio, onde acompanhar o Mundial era ouvir o relato na rádio, ler o jornal e, pela primeira vez, absorver as transmissões da BBC, as transmissões televisivas. E sessenta anos depois, nós não estamos limitados ao consumo dos jogos, porque nós temos um acompanhamento do Mundial ao vivo e a cores, em tempo real, em múltiplos ecrãs, e comentamos e partilhamos nas redes sociais e nas diferentes plataformas as nossas experiências."

A componente digital, adianta Daniel Sá, "transformou o adepto de um elemento passivo, que estava sentado no sofá a assistir a jogos, para um elemento extraordinariamente ativo, onde acaba por estimular uma interação e consequente economia digital muito intensa."

O mundial de futebol decorre entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá. Portugal está no grupo K com Uzbequistão, Colômbia e Congo.