Rêma confia em passo "ainda mais histórico" contra "equipa como as outras" no Mundial de andebol
Em entrevista à rádio, o guarda-redes Diogo Rêma - nomeado para melhor jovem do Mundial de andebol - mostra não ter dúvidas de que Portugal tem capacidade para dar um passo "ainda mais histórico" e chegar às meias-finais.
Diogo Rêma. Um metro e 89 centímetros de altura, 20 anos e titular em todos os jogos da seleção nacional de andebol no Mundial que está a decorrer na Noruega, sabe que o que a equipa nacional está a fazer não passava pela cabeça de muitos. Nada que o impeça de ver na Alemanha, o adversário do jogo dos quartos de final, "uma equipa como as outras”.
Afinal de contas, já passaram 18 anos desde que os alemães se sagraram campeões do mundo e, neste momento, são o maior obstáculo de Portugal no acesso às meias-finais do Mundial. Apenas e só isso. Será?
“Eles têm jogadores de altíssimo nível, muitos e bons jogadores, e a maior parte deles atua na melhor liga do mundo”, reconhece o jovem guardião português. Não antevê menos do que "um excelente jogo”, com uma ressalva: "Temos mais do que capacidades para lhes ganhar.”
Em entrevista a esta rádio, Rêma - que leva 31 defesas em 98 remates enfrentados - não deixa de reconhecer, quando desafiado a identificar os pontos fortes do adversário, que os alemães são “muito fortes fisicamente” e “têm um remate potente”. Mas – e este é um caso é que há sempre um "mas" - “são uma equipa como as outras”. Afinal de contas, trata-se de um mundial e “todas as equipas” ali "são complicadas de jogar contra”.
O guarda-redes garante que o espírito da seleção “mantém-se bom ao longo da jornada” muito porque os internacionais portugueses não foram ao engano.
"Nós sabíamos aquilo que podemos fazer desde o início. Provavelmente muita gente não acreditava neste passo para os quartos de final, mas continuamos todos focados de modo a podermos dar o nosso melhor e podermos estar a 100%” no jogo com a Alemanha, algo que identifica como "o mais importante” na preparação porque todas as horas passadas "fora do jogo acabam por influenciar o rendimento durante o jogo”.
E se a equipa está assim, por que não haveria de brilhar quem faz parte dela? É que o brilho de Rêma tem sido tanto que está nomeado melhor jovem da competição. E não está sozinho: também o ponta Francisco “Kiko” Costa, de 19 anos, surge na lista de sete nomeados.
Ou seja, há dois portugueses em sete potenciais candidatos. Mas há também os três espanhóis Ian Barrufet, Petar Cikusa e Djordje Cikusa, o suíço Gino Steenaerts e o checo Daniel Bláha.
Para Rêma, pode estar na lista é “o recompensar e o reflexo do trabalho” do que o próprio e Kiko Costa têm vindo a fazer. “Mas” - e lá vem de novo o mas -, “o mais importante é mesmo ganharmos à Alemanha e darmos mais um passo em frente que seria histórico, ainda mais histórico do que os quartos de final”, sustenta o guarda-redes.
E estar nesta lista leva a brincadeiras entre os dois? “Não muito”, assegura Rêma, porque “não é algo que faça assim tanta diferença”. Ou seja, “pode haver alguma brincadeira ou outra, mas nada de monta”. Que é como quem diz, sem distrações.
Percebida que está a atitude de Rêma e da equipa, falta a mensagem que o guarda-redes da seleção escolheu passar. E é de união e reconhecimento.
“Peço a todos que amanhã liguem a televisão na RTP 2 para ver o jogo contra a Alemanha, porque acho que apoiar verdadeiramente o desporto nacional é apoiar todas as modalidades e não apoiar só o futebol. As modalidades têm vindo a demonstrar que, mesmo com poucos apoios, acabam por conseguir atingir grandes feitos e com apoio ainda se torna mais fácil para nós.” Palavra de quem lá está dentro.
O jogo entre Portugal e Alemanha, a contar para os quartos de final do Mundial, está marcado para as 19h30 desta quarta-feira na Unitu Arena, em Baerum, na Noruega. Quem vencer cruza com a Dinamarca ou Brasil nas meias-finais.
*com Gonçalo Teles
