"Resultado desastroso para o PS." Pode ser o "fim da linha" para liderança de Pedro Nuno Santos

A análise de André Azevedo Alves.

O resultado das últimas eleições é para André Azevedo Alves, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, um potencial "fim da linha" para a liderança de Pedro Nuno Santos no Partido Socialista.

André Azevedo Alves destaca que este é "um resultado desastroso para o Partido Socialista". Para o politólogo estas eleições podem marcar o fim da liderança do secretário-geral do PS "não só pela muito substancial quebra face ao já mau resultado de 2024, mas por aquilo que poderá ser o dado mais marcante da noite (...) a proximidade do Chega face ao Partido Socialista, estando inclusivamente em aberta a possibilidade do Chega passar a ser a segunda força política", mas mesmo que tal não aconteça, defende que "teremos basicamente Chega e PS ao mesmo nível, o que ainda há poucos anos seria impensável".

André Azevedo Alves considera também relevante o facto de o conjunto da direita "reforçar a sua posição", isto porque independentemente da distribuição entre os três partidos (AD, Chega e IL) há também um aumento muito significativo face à eleição de há um ano, em que a direita já tinha sido claramente maioritária. "Agora, assistimos ainda a um reforço adicional, muito à custa do tal dado principal que me parece ser o resultado desastroso do Partido Socialista".
Quando questionado sobre se acredita existirem condições para formar Governo com esta subida da direita ou se podemos ter algum impasse, o politólogo não tem dúvidas e prevê "um novo impasse". Com as atuais lideranças da AD e do Chega será no entender do especialista "muito difícil, para não dizer impossível, haver alguma forma de entendimento de Governo, ou entendimento parlamentar que sustente um Governo". De acordo com o que as projeções apontam, continuará a haver "apenas duas formas de formar uma maioria, que será por via do entendimento da AD com o Chega, ou por via do entendimento da AD com o Partido Socialista", e para André Azevedo Alves pode vir a colocar-se a questão da manutenção do chamado "cordão sanitário em torno do Chega".