Revelado tema póstumo de Sinéad O'Connor
Canção inédita fechou ontem a série da BBC, "The Woman in the Wall".
Ontem, a fechar a série de ficção da BBC de seis episódios, "The Woman in the Wall", surgiu uma canção inédita de Sinéad O'Connor, igualmente intitulada 'The Woman in the Wall'.
David Holmes, responsável pela banda sonora da série da BBC, foi quem tratou a música que Sinéad O'Connor compôs e gravou ainda antes sequer da produção televisiva ter arrancado. "A primeira parte da canção é completamente avassaladora e a segunda parte é puro desafio. Reduzi a canção apenas à voz da Sinéad e deixei que a música fosse crescendo ao longo da segunda metade", explica o compositor, citado pela imprensa britânica.
"The Woman in the Wall" é um drama sobre uma mulher, Lorna Brady, com um passado traumático nos controversos asilos femininos da Irlanda, os Magdalene laundries, onde lhe foi retirada a filha quando tinha 15 anos. Por causa do seu sonambulismo, torna-se suspeita de um homicídio. Lorna Brady é interpretada pela atriz Ruth Wilson.
Sinéad O'Connor, que também foi internada aos 15 anos num dos Magdalene laundries for atividades de furto, identificou-se com a história de "The Woman in the Wall", depois de um passado de ativismo e de denúncia da crueldade praticada contra as "fallen women" (as mulheres que era internadas nesses asilos, muitas delas mães solteiras ou que eram vistas como marginais da sociedade) praticadas pelas freiras que geriam essas instituições na Irlanda.
As denúncias de Sinéad O'Connor contra a repressão nas Magdalene laundries ganhariam credibilidade quando, paralelamente e numa situação diversa, foi descoberta em 1993 uma vala comum com 133 cadáveres não identificados num antigo convento gerido por essa instuição de internato.
Sinéad O'Connor foi encontrada morta em julho passado. A cantora tinha 56 anos.
