Robert Smith faz luto pelo irmão no novo álbum dos Cure

'Never Say Goodbye' é a canção sobre a perda do fraterno do cantor.

Os Cure ainda não lançaram o seu novo álbum “Songs of a Lost World” (a 1 de novembro), e já estão a trabalhar em mais dois, sendo que um deles tem que ficar concluído até ao verão de 2025. Quem o afirma é o líder dos Cure, Robert Smith, em entrevista ao radialista BBC Radio 6, Matt Everitt. O cantor gótico afirma que optou por abdicar da próxima temporada dos festivais para ter a certeza de que o sucessor de “Songs of a Lost World” ficasse concluído antes da digressão de outono de 2025. Os trabalhos para o disco vindouro já estão adiantados. 

 

Na entrevista a Matt Everitt que o New Musical Express cita, Robert Smith confirma pela primeira vez que uma das oito canções do próximo álbum, “Songs of a Lost World”, ‘Never Say Goodbye’, é sobre o irmão que morreu. “Something wicked this way comes / To steal away my brother's life” [“Algo de maldoso aconteceu por aqui ao roubarem a vida ao meu irmão”], canta Robert Smith neste tema que os Cure tocaram ao vivo numa série de concertos em 2022 e 2023. Na entrevista, Robert Smith explica que “não queria que as palavras dominassem a canção, de uma forma que a música se pudesse tornar um mero pano de fundo para o que se está a cantar. Nisso, acho que a música é mais importante do que aquilo que estou a cantar de certa forma. É uma música muito difícil de cantar. As pessoas usam agora muito a palavra 'catártico', mas para mim foi realmente catártico. [A música] permitiu-me lidar com isso e acho que me ajudou enormemente”.

Para Robert Smith, as canções novas dos Cure refletem o que vai na cabeça de um homem de 65 anos como o cantor e guitarrista inglês. A abordagem aos temas sombrios é agora mais próxima. “Quando somos mais novos, romantizamos [a morte], sem verdadeiramente a conhecer. Depois, começa a acontecer aos teus familiares mais próximos e aos teus amigos. De repente, já é outra coisa. É uma questão com que me debati quando escrevia as letras: como vou colocar este assunto em canções?”, lembra Smith. 

O fundador dos Cure falou também nesta entrevista sobre a sua paixão pelo futebol e das razões que o levaram a afastar-se do desporto-rei. Seguidor da seleção inglesa, Robert Smith é também adepto de um clube londrino que passou a morar nas divisões secundárias: o Queens Park Rangers [QPR]. “Apaixonei-me pelo futebol quando era completamente diferente. Ir ao futebol era um rito de passagem e uma experiência completamente diferente. Os futebolistas eram eles próprios mais divertidos, eles iam para o pub antes dos QPR. Era um mundo diferente”.

Robert Smith já não se identifica com o mundo mais industrializado que rodeia hoje o futebol. “O futebol [de agora] é sobre a venda de tudo: é tudo à base de patrocínios e apostas. Já não mexe tanto comigo como dantes”.