Rock & Roll Hall of Fame: para quando estes?
Listas de pedidos, não de apostas, para os indigitados do próximo ano.
Já a pensar nos próximos artistas a entrarem no mural do Rock & Roll Hall of Fame, a arrepiar caminho diretamente para os indigitados (passando por cima da próxima lista de 12 nomeados), propomos sete nomes históricos da música para 2020 – o número de indigitados deste ano. Ei-los.
Serge Gainsbourg
Primeiro álbum em 1958
Em 33 anos de indigitações no Rock & Roll Hall of Fame, a maior desatenção é sem dúvida geográfica. Todos os homenageados têm sido confinados ao mundo de expressão inglesa. Para quebrar esta barreira, poucos há melhores que o francês Serge Gainsbourg, hoje um ícone global, que além da chanson française, de formas precoces de rap (antes do rap existir com esse nome), e de aventuras pelo reggae, tem um historial grande de rock & roll. Foi gráfico em cantar o sexo, como no célebre 'Je t'aime... moi non plus'. Tão rebelde, quanto corajoso, enquadrou o hino francês da 'Marselhesa' numa canção de reggae, 'Aux armes et cætera', com a tal polémica. A sua música é para fumadores.
Quem poderia apresentá-lo: Beck
Tim Buckley
Primeiro álbum em 1966
Haverá o dia em que vão começar a pressionar para indigitar Jeff Buckley, cujo o único álbum em vida foi lançado há mais de 25 anos (portanto, já cumpre os requisitos). Mas antes disso acontecer, terão que tratar da eternidade ao pai, Tim Buckley, que deixou até uma obra bem mais vasta, de nove álbuns, apesar da morte precoce aos 28 anos. A voz era uma autêntica montanha russa, tão variável quanto a sua discografia, que começou na folk e terminou a pisar a soul e o jazz.
Quem poderia apresentá-lo: Ivo Watts-Russell (antigo mentor da editora 4AD e dos projetos This Mortal Coil e Hope Blister)
Kraftwerk
Primeiro álbum em 1970
O Rock & Roll Hall of Fame não se tem focado apenas no mundo de expressão inglesa. Por obrigações de missão, tem olhado para o passado. Mas está na altura de olhar para o futuro: os alemães Kraftwerk. Através do seu enorme pioneirismo, o coletivo alemão criou uma árvore genealógica gigante, que vai hoje de géneros electrónicos mais vanguardistas como o dubstep à pop mais popular. Este muzak de outro planeta tornou-se na banda sonora das noites das cidades que se ouve hoje através de outros projetos. Deixaram um ciclo referencial de cinco álbuns conceituais, dedicados a temas que normalizam o nosso quotidiano, como as auto-estradas, as radiações e a rádio, os comboios, os robôs, ou os computadores. A partir da erudição, os Kraftwerk compreenderam a música popular como poucos, antecipando o futuro de forma brusca. Com todas as suas potencialidades técnicas, o estúdio foi a sua orquestra. Através do uso dos sintetizadores, os Kraftwerk tiveram uma visão orquestral que era futurista.
A serem indicados: Ralf Hütter, Florian Schneider, Wolfgang Flür, Karl Bartos, Fritz Hilpert, Henning Schmitz.
Quem poderia apresentá-los: Gary Numan
Kate Bush
Primeiro álbum em 1978
Talvez nenhuma artista feminina pop tenha uma obra autoral tão volumosa como a inglesa Kate Bush. Revelou uma capacidade assinalável para encarnar as mais diversas personagens, incluindo masculinas, quer nas canções, quer nos vídeos cuidadosamente trabalhados. Juntou à voz versátil uma expressão corporal fortíssima. Com algum hiperbolismo, explorou através de picos dramáticos sentimentos como o terror, o suspense e o medo. É o exemplo de uma discografia em que a cantora teve sempre teve o peso maior na direção musical.
Quem poderia apresentá-la: Tori Amos
Depeche Mode
Primeiro álbum de 1981
Há alguns anos que os Depeche Mode têm feito parte do lote de candidaturas à entrada no Hall of Fame, mas daí não têm passado. Está na altura de serem indigitados em 2020. Eles foram os Beatles das máquinas, a primeira banda de sintetizadores a projetar-se à dimensão mundial de concertos de estádio. Aliaram o apelo orelhudo à subversão, com um paralelismo raro entre subida de vendas e um som cada vez mais sombrio. Foram tendo um cantor de grande voz (Dave Gahan), um hábil compositor de canções (Martin Gore) e um músico mais atento a inovações técnicas (Alan Wilder), cada um na sua função.
A serem indicados: Dave Gahan, Martin Gore, Andy Fletcher, Alan Wilder e Vince Clarke.
Quem poderia apresentá-los: Moby
Nick Cave & The Bad Seeds
Primeiro álbum de 1984
Nick Cave é um cantor emblemático há anos suficientes para merecer a indigitação no Rock & Roll Hall of Fame. A agigantá-lo têm estado os Bad Seeds, a sua sagrada retaguarda de há mais de 30 anos, outrora comandada por Mick Harvey e hoje dirigida pelo multi-instrumentista Warren Ellis. Nick Cave tem sido um cavalheiro com olhar de pirata, com sensibilidade grandiosa para assuntos como a morte e o amor, em alguns momentos com aquele toque de humor traquina.
A serem indicados: Nick Cave, Mick Harvey, Blixa Bargeld, Warren Ellis, Thomas Wydler, Martyn P. Casey, Conway Savage (a título póstumo), Barry Adamson, Kid Congo Powers, Jim Sclavunos, James Johnston e George Vjestica.
Quem poderia apresentá-los: Iggy Pop
Massive Attack
Primeiro álbum em 1991
Vários nomes com início de discografia nos anos 90 já foram agraciados, como os Pearl Jam ou Tupac Shakur. Mas pouco cunharam tão bem o som da década pré-milenar como os Massive Attack. Virá a hora do Rock & Roll Hall of Fame se lembrar do trip-hop e de nomes como os Portishead e Tricky. Mas quando isso acontecer, terão que começar pelos pioneiros, os Massive Attack, que colocaram Bristol nas bocas do mundo. O hip hop, o dub, a soul e o rock eram farinha do mesmo saco nas mãos deste coletivo que iniciou um dos maiores movimentos das últimas décadas.
A serem indicados: Robert "3D" Del Naja, Grant "Daddy G" Marshall e Andrew "Mushroom" Vowles
Quem poderia apresentá-los: Neneh Cherry
