Rosalía contra a cultura do cancelamento
"Precisamos de uma cultura de perdão", afirma a cantora catalã em entrevista ao jornal The Guardian.
A artista catalã Rosalía reflete sobre a emergente cultura de cancelamento, que critica, na entrevista que deu ao jornal The Guardian.
"Vejo muito desta cultura do cancelamento a acontecer em geral, na internet, com toda a gente", afirma Rosalía. "Isto parece-me sempre estranho. Acho que precisamos de uma cultura de perdão muito maior. Não cancelaria um amigo só porque pensamos de forma diferente. E, definitivamente, sinto sempre que tenho muito para aprender [com a discordância] e tento sempre fazer as coisas melhor".
Esta visão crítica de Rosalía pode estar fundamentada na sua experiência pessoal, quando este ano esteve debaixo de fogo do estilista espanhol de renome Miguel Adrover, que tinha dito que não trabalharia com a artista catalã devido ao seu silêncio sobre o massacre israelita a Gaza, na Palestina. “O silêncio é cumplicidade e ainda maior o é quando se tem um megafone para milhões de pessoas que ouvem aquilo que cantas. É por isso que se tem a responsabilidade de usar esse poder para denunciar o genocídio”, havia escrito Adrover na rede social do Instagram. A resposta de Rosalía tinha sido assinalada nas redes sociais, em forma de defesa pessoal e de crítica ao seu compatriota. “Não vejo como é que envergonharmo-nos uns aos outros seja a melhor forma de avançar na luta pela liberdade palestiniana. Acho que a culpa deve ser atribuída aos cima, àqueles que tomam decisões e têm o poder de agir, e não horizontalmente, entre nós todos”.
Rosalía lançou há dias o seu álbum “Lux”, em que canta em 13 línguas, incluindo a portuguesa, no tema ‘Memória’, que conta com a participação da fadista Carminho. O leque de convidados de “Lux” é bastante extenso e inclui Björk, Yves Tumor ou Estrella Morente.
