Rúben Amorim revela que só queria sair do Sporting no final da época

O técnico disse que aceitou o convite do Manchester United para evitar arrepender-se mais tarde.

 O treinador Rúben Amorim revelou na sexta-feira que, no início da temporada, já tinha decidido que esta seria a última no Sporting e que aceitou o desafio imediato no Manchester United para evitar arrepender-se “daqui a sete meses”.

“No início da época, tive uma conversa com o presidente e com o [diretor desportivo] Hugo Viana, e disse que, acontecesse o que acontecesse, era a minha última época no Sporting. Esta época começou, todos começámos a fazer uma época muito boa e surgiu a situação do Manchester United. Pagaram acima da cláusula e o presidente defendeu os seus interesses. O único pedido que eu fiz foi para ser no final da época. Eu estive três dias a pedir isso, mas disseram-me que não era possível. Seria agora ou nunca”, começou por explicar.

Em conferência de imprensa após a goleada na receção ao Estrela da Amadora, por 5-1, para a I Liga, Rúben Amorim procurou esclarecer os motivos que o levaram a aceitar a ida para Manchester e apontou que, no passado, já outros clubes estiveram dispostos a pagar a sua cláusula de rescisão, sem revelar quais, mas que acabou por permanecer.

“Não é a primeira vez que tenho a cláusula paga por um clube. Quero aquele contexto [do Manchester United], que me permite fazer as coisas à minha maneira. Tenho de dar um passo em frente na carreira. Custa-me mais a mim do que a qualquer sportinguista Apareceu um clube que eu sabia que, se o rejeitasse, daqui a sete meses não o iria ter. E eu sabia que, daqui a sete meses, saía do Sporting. Era um arrependimento com que seria difícil de lidar”, frisou ainda.

Os ingleses do Manchester United foram o único clube que “mexeu” com o treinador, que reforçou que lhe custa sair dos ‘leões’ nesta altura, tendo ainda mais duas partidas, contra Manchester City, na Liga dos Campeões, e Sporting de Braga, no campeonato, para “fechar todos os capítulos”.

“Foi a melhor fase da minha vida. Todas as pessoas no Sporting sabem a importância que tiveram para mim. Percebo a desilusão dos adeptos e que estão divididos, por sair a meio de uma época que pode ser histórica”, realçou, dizendo que leva consigo o seu ‘staff’, que o acompanha já desde o início do seu trajeto como treinador, no Casa Pia, nomeadamente os adjuntos Carlos Fernandes e Adélio Cândido.

Rúben Amorim salientou um conjunto de fatores que pesaram na sua decisão, sendo o mais flagrante o facto de ser uma mudança “extraordinariamente desafiante”, idêntica ao que viveu quando chegou ao Sporting, proveniente do Sporting de Braga, e em que muitos tiveram dúvidas da sua capacidade.

“Não fui embora quando fomos campeões, nem quando ficámos em quarto lugar, nem quando fomos campeões pela segunda vez. Vou embora quando entendo que, daqui a sete meses, estaria fora do Sporting. Tenho esta oportunidade e é um contexto que eu quero. O clube está preparado, vai seguir em frente e continuará a ganhar”, apontou.

Com a decisão de ser a última temporada ao comando dos ‘leões’, o futuro já estava a ser preparado, mas “as coisas precipitaram-se”, com Rúben Amorim a rejeitar uma revolta do plantel, embora assuma tristeza e desilusão no grupo.

Na mesma conferência de imprensa, garantiu ainda que não deve voltar tão cedo a Portugal, quando questionado se estaria disponível para, no futuro, treinar Benfica ou FC Porto.