Russell Brand condenado por violação e agressões sexuais contra quatro mulheres

O ator e humorista britânico foi condenado por um crime de violação e três de agressão sexual, contra quatro mulheres, cometidos entre 2004 e 2009.

O ator e humorista britânico Russell Brand foi hoje condenado por um crime de violação e três de agressão sexual, contra quatro mulheres, cometidos entre 2004 e 2009, cuja pena de prisão será conhecida na segunda-feira.

Russell Brand, que foi absolvido de outras três acusações, incluindo duas de violação, enfrenta uma pena de prisão “significativa”, que será anunciada na segunda-feira, disse hoje o juiz Joel Bennath.

O ator encontrava-se em liberdade, mas o juiz rejeitou o pedido para que aguardasse a sentença nessa condição, devido ao risco de fuga, tendo ordenado a sua detenção.

“Lamento, naturalmente, as dificuldades causadas aos filhos, mas essas dificuldades foram provocadas pelos graves crimes cometidos pelo pai”, afirmou o juiz.

Durante o julgamento, a procuradora Riel Karmy-Jones descreveu Russell Brand como um “predador sexual” implacável, calculista e manipulador.

O ator, de 51 anos, negou as acusações e declarou em tribunal que, quando era mais novo, era obcecado por sexo e levava uma vida sexual promíscua, mas que nunca tinha obrigado ninguém a fazer algo contra a sua vontade.

Russell Brand foi considerado culpado de um crime de violação e de três crimes de agressão sexual, tendo sido absolvido de duas acusações de violação e de uma acusação de tentativa de abuso sexual.

O ator fechou os olhos quando foi lido o veredicto de culpado pelo crime de violação, mas não manifestou qualquer outra emoção.

Quando lhe foi recusada a liberdade sob caução, fez um gesto aos advogados para indicar que estava bem e repetiu várias vezes “estou bem, estou bem, estou bem”, antes de ser conduzido para fora da sala.

O superintendente Andy Furphy, da Polícia Metropolitana de Londres, afirmou que a condenação constitui “um testemunho da extraordinária coragem, resiliência e determinação das mulheres que se apresentaram e denunciaram o que lhes tinha acontecido”.

“Brand usou a sua influência, posição social e fama para explorar e cometer crimes sexuais contra mulheres”, afirmou, acrescentando que “à medida que a sua notoriedade aumentava, também crescia a sua convicção de que tinha direito a tudo”.

O júri, constituído por oito homens e quatro mulheres, no Tribunal da Coroa de Southwark, deliberou durante mais de oito horas, ao longo de dois dias.

Conhecido pelos seus espetáculos de comédia provocadores e pelos problemas com drogas e álcool, Russell Brand ganhou notoriedade no início dos anos 2000, apresentando programas de televisão e um programa de rádio próprio na BBC.

Participou em filmes de Hollywood, incluindo “Forgetting Sarah Marshall” e “Get Him to the Greek”, e esteve casado durante um breve período com a cantora Katy Perry.

Nos últimos anos, afastou-se dos meios de comunicação social tradicionais, mudou-se para a Florida, nos Estados Unidos, e conquistou um vasto público nas plataformas digitais, através de vídeos que misturam temas relacionados com o bem-estar, teorias da conspiração e reflexões sobre a sua devoção religiosa.

Russell Brand foi considerado culpado de agredir sexualmente uma mulher durante uma festa de aniversário num bar de Londres, em 2004, mas absolvido da acusação de a ter violado oralmente numa casa de banho.

Foi igualmente considerado culpado de ter beijado e apalpado outra mulher numa estação de rádio londrina, em 2004 ou 2005, e de ter violado por via anal uma admiradora que conheceu nos bastidores de um dos seus espetáculos de comédia, em 2009.

A quarta condenação diz respeito à agressão sexual de outra mulher, que afirmou que o humorista lhe exigiu uma massagem e pressionou o rosto contra a sua zona genital durante a gravação de um anúncio publicitário, em 2009.

Brand foi absolvido da acusação de ter violado outra mulher num quarto de hotel durante a conferência anual do Partido Trabalhista, realizada em 1999 na cidade costeira de Bournemouth, e da acusação de tentativa de abuso sexual contra uma mulher, que teria arrastado para a casa de banho masculina dos escritórios londrinos do canal de música MTV.

A identidade das vítimas está protegida vitaliciamente pela legislação britânica no que respeita à divulgação pelos meios de comunicação social.

Durante o seu depoimento em tribunal, Russell Brand afirmou que o processo criminal teve consequências devastadoras para a sua vida e para a sua família.

“Toda a minha vida foi consumida por estes acontecimentos, estas alegações, estas acusações”, declarou.

Os seus advogados argumentaram que a credibilidade das vítimas era posta em causa pelo facto de só terem apresentado queixa à polícia vários anos depois das alegadas agressões e na sequência da transmissão, em 2023, de um documentário que incluía acusações anónimas contra o ator.

Russell Brand afirmou ainda que tinha sido abandonado por amigos e colegas.

A mulher, Laura, que o acompanhou ao tribunal, prestou depoimento em sua defesa, como testemunha abonatória, mas, segundo o acusado, nenhuma pessoa com conhecimento direto de factos relevantes para o processo se mostrou disponível para testemunhar a seu favor.