Sam Smith no Alive: liberdade e libertação
Caravana monumental do cantor deixou marcas na última noite do Alive.
Sam Smith disse esta noite ao público do NOS Alive que este iria ser um "concerto de liberdade". E não o fez por menos, fazendo tudo em grande. A estátua dourada da deusa grega Afrodite ocupa o palco quase todo, com dimensão para monumento. O coro foi um braseiro soul como bem se ouviu em vários temas, como 'Too Good at Goodbyes'. E depois, na segunda metade do concerto de hora e meia, a dança toma conta do palco, Um corpo de meia-dúzia de dançarinos saltita e dança pelo palco como penas em 'Love Goes', tendo-se seguido o twerk em 'Gimme' ou o entrelaçamento tórrido em 'Loose You'. E depois, acontece uma enorme festa de disco-sound e de pura electrónica.
Outra extravagância eram as mudas de roupa permanentes de Sam Smith. Quando subiu a palco, entra a cantar o seu êxito 'Stay with Me', o cantor estava de gravata, dois brincos que não podiam ser mais diferentes e com uma roupa muito difícil de descrever mas pode dizer-se que era dourada e que baloiçava um pouco. Também vestiu uma camisa de folhos e calçou uns sapatos de salto alto, um vestido que se confundia com um robe, entre outras invulgaridades.
Sem problemas, foi mostrando a sua identidade queer, de forma mais direta ou indireta. Mas é na fortíssima ponta final que é mais evidente na sua identidade sexual, como é o caso de I Feel Love, um momento de discoteca em que Sam Smith dança em vez de cantar, dando show com o histórico tema de Donna Summer. Sam Smith aproveita I Feel Love para dançar com a camisola alternativa da seleção de futebol de Portugal, despindo-a e esbracejando com a camisola no ar até a atirar. O concerto não é só de liberdade, é também de libertação
Após um momento de canto gregoriano, Sam Smith aparece como uma imagem de Santa Maria, mas tira o manto claro e expõe ali um monstro sexual com o seu corpo grandalhão e muito desnudado, atirando-se a uma versão muito transformada de 'Human Nature' de Madonna, com berros ao modo do rock industrial de 'Express Yourself'.
'Unholy' é o tema derradeiro, com Sam Smith a incorporar-se ao centro nas coreografias muito sexualidadas e queer dos seus dançarinos. Sam Smith entra no jogo arriscado do sagrado frente ao profano, benzendo-se e usando uma roupa de diabrete, enquanto mostrava o traseiro com o fio dental.
