São já muitas as reações à morte de Sinéad O' Connor

David Fonseca, Tori Amos ou Bryan Adams são algumas das figuras que já se manifestaram.

Multiplicam-se as reações à morte da cantora irlandesa Sinéad O' Connor. Em Portugal, David Fonseca recorda o único concerto que a artista deu em Portugal, no Coliseu dos Recreios (em Lisboa), a 25 de junho de 1995. O cantor, então anónimo (três anos antes da euforia dos Silence 4), foi assistir a esse espetáculo  na companhia do seu irmão: “A meio do espectáculo do Coliseu, entre duas canções, aproveitei o silêncio da sala enquanto os músicos ajustavam os seus instrumentos e gritei "Sinead, I love you!", fazendo-me ouvir por toda a sala. Ela sorriu e eu fiquei imensamente feliz, uma memória que persiste até hoje num lugar bonito desse tempo. Godspeed, Sinead".

 

Cat Stevens, que assina com Yusuf, chamou Sinéad O' Connor pelo seu nome islâmico de Shuhada, quando se converteu à religião maometana em 2018. "Ela era uma alma terna, que Deus, Misericordioso, lhe conceda a paz eterna", recitando uma reza islâmica: "Inna lillahi wa inna ilayhi rajioon", que significa: "a Alá pertencemos e a Alá voltaremos".

 

Sinéad O' Connor participou como cantora convidada principal do quarto álbum dos Massive Attack, de 2003, "100th Window". O coletivo de trip-hop manifestou-se "devastado" nas redes sociais. "O seu olhar fogoso fez-nos perceber que o seu ativismo era um reflexo sentido e não [apenas] um gesto político".

 

Também Boy George se mostrou "devastado" e também ele colaborou com a cantora irlandesa na versão dub do clássico de 1973 de Yoko Ono, 'Death of Samantha'. "Tu eras o que realmente importava. Vivam os irlandeses", anota no Twitter.

Quem trabalhou com Sinead O’ Connor, mas igualmente como fotógrafo, foi o rock canadiano Bryan Adams, que escreve no Twitter: "adorei ter trabalhado contigo, a tirar-te fotos, a atuarmos juntos na Irlanda e a conversarmos. Todo o meu amor para a sua família”. 

 

São várias as figuras musicais femininas que prestam homenagem à recém-falecida artista irlandesa, como o caso da igualmente complexa Tori Amos que no Twitter assinala-a como "uma força da natureza" e como "uma brilhante cantautora e performer". Tori Amos, que se debateu também com um passado traumático, enaltece em Sinéad O' Connor a “tamanha paixão, o tamanho carisma”, sublinhando que "lutou corajosamente contra os seus demónios pessoais".  

 

A contemporânea de Sinéad O' Connor, Tracey Thorn (dos Everything But the Girl), também reconhece a cantora irlandesa como uma "mulher corajosa", lamentando "a terrível perda".

A cantora inglesa Alison Moyet diz ter tentado "alcançar por várias vzes Sinéad O' Connor mas nunca consegui. Lembro-me quando ela apareceu. Que presença assombrosa". 

A vocalista das Bangles, Susanna Hoffs, que se apresenta de coração partido, pede apenas "paz e amor" para Sinéad O’ Connor, com uma imagem radiosa da intérprete irlandesa em nova.

 

O cantor inglês de ascendência familiar irlandesa Morrissey assina no seu site oficial um longo texto de evocação a Sinéad O’' Connor. Com um álbum novo pendente e preso pela sua editora, o ex-vocalista dos Smiths é fiel ao seu estilo de desfazer na hipocrisia da indústria fonográfica, lembrando o lado contra-sistémico da cantora. “Ela foi dispensada da sua editora depois de ter vendido sete milhões de cópias para eles. Sim, ela enlouqueceu, mas desinteressante, nunca. Ela não fez nada de errado. Ela tinha uma vulnerabilidade orgulhosa... e há um certo ódio na indústria da música por cantores que não se encaixam (isso eu sei muito bem), e nunca são elogiados até morrerem – porque, finalmente, eles não podem responder de volta".

Uma das mais comoventes homenagens a Sinead O' Connor aconteceu no concerto desta noite de Pink em Cincinnati (nos Estados Unidos), com a cantora a fazer um dueto com Brandi Carlile na versão de 'Nothing Compares To U', o maior êxito da recém-falecida cantora (a partir de um original de Prince).

Billy Bragg, Flea (baixista dos Red Hot Chili Peppers), Billy Corgan (líder dos Smashing Pumpkins), Michael Stipe (ex-vocalista dos R.E.M.), Ice T, Chuck D e Flavor Flav (estes dois dos Public Enemy), Peter Murphy (cantor dos Bauhaus), os Garbage, ou Perfume Genius foram outras personalidades que reagiram em público à morte de Sinéad O' Connor.