"São mais anúncios do que soluções." Leiria ainda recupera da tempestade Kristin
O presidente da CM Leiria diz que vai ser necessário um reforço de financiamento.
Mais de quatro meses depois da tempestade kristin, Leiria ainda recupera dos estragos causados pelos vento muito forte daquela madrugada de 28 de janeiro, que derrubou milhares de árvores, postes e deixou muitas casas sem telhado.
"Há áreas ainda por resolver e que são as prioridades. O restabelecimento das telecomunicações. Muita fibra ótica ainda não chega à casa das pessoas, daí muitas pessoas não têm acesso ainda à internet em casa e empresas. E, por outro lado, o processo de limpeza da floresta, que é a principal preocupação e foi aquela que deixou uma marca mais duradoura e que obriga a uma operação de limpeza durante estes meses até aos períodos de maior calor, sobretudo limpar a floresta junto às zonas habitacionais, zonas empresariais, junto a estradas, de modo a que em caso de incêndio haja uma segurança acrescida nestas áreas", refere o presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes.
Perante o grau de destruição, o autarca diz que vai ser necessário um reforço de financiamento e "o governo tem que ser sensível a essa necessidade e tem que definir as suas prioridades, para poder acudir às dificuldades que as autarquias irão passar nos próximos tempos."
"Há muita destruição e, neste momento, aquilo que sentimos é que são mais anúncios do que soluções. E muitos dos anúncios que se fazem, depois acabam por criar expectativas, seja nas pessoas, nas empresas ou nos próprios autarcas, que passado o tempo vai-se desaparecendo e nós ficamos com a sensação clara que estamos praticamente entregues a nós próprios", lamenta.
Apoios às habitações
O presidente da autarquia de Leiria espera ainda concluir dentro de 10 a 12 semanas a análise das candidaturas aos apoios para as habitações afetadas, sublinhando que falta analisar cerca de 5 mil das 10 mil candidaturas apresentadas no concelho.
"Nós estamos a pagar horas extraordinárias, estamos a mobilizar o maior número de recursos. As próprias pessoas que estão envolvidas nisto estão exaustas. Praticamente, desde que aconteceu a Kristin, há pessoas que não pararam ainda. E as mesmas pessoas que estão a analisar também tiveram as suas vidas de pernas para o ar", explica.
Além disso, adianta Gonçalo Lopes, é preciso garantir também o rigor e a transparência, o que atrasa o trabalho, mas lamenta o transtorno causado nas pessoas que aguardam o apoio.
Pode ouvir em baixo a entrevista com o autarca, gravada em Leiria no dia 10 de junho.
