Scorpions em Gaia: resistir até morrer
Concerto fechou o primeiro dia do festival Marés Vivas.
Tudo é extravagante nos Scorpions. A bateria de Mikkey Dee está sobre uma escadaria luminosa em forma de pirâmide. Os guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs e o baixista Pawel gostam de manter aquela posição espaçosa, bem distantes uns dos outros, ao estilo do hardrock, como se a cultura do rock pesado exigisse uma dimensão imperial de palco.
O vocalista Klaus Meine surgiu com o seu casaco de couro e a sua boina, mas visivelmente mais magro.
‘Send Me an Angel’ é a primeira balada da noite, só ao fim de meia-hora de concerto, depois da cavalgada de rock pesadão. Klaus Meine, com ar muito frágil, ergue o suporte de microfone na direção do público, na procura de suplantar a interpretação, enquanto tenta segurar-se de pé.
Continuam os slows com ‘Wind of Change’, iniciado com os reconhecíveis assobios, num tema sobre os tempos de mudança da Perestroika na Europa de Leste. A canção termina com a imagem do símbolo da paz.
Já na música ‘Loving You Sunday Morning’, amplificam-se à bruta as guitarras elétricas e Meine ainda ensaia um jogo de pés rápido, apesar da evidente fragilidade do cantor de 77 anos.
Após o solo do baixista polaco Pawel Maciwoda, dá-se um número hercúleo do baterista sueco Mikkey Dee, a massacrar todos os tambores do seu castelo, numa demonstração mais eloquente do que qualquer sessão de musculação.
‘Big City Nights’ é daqueles temas que os fãs das filas da frente é que cantam mais efusivamente, perante o maior alheamento do grande público festivaleiro. Mas alheamento é algo não acontece na balada ‘Still Loving You’, com Klaus Meine a tentar cantar como antigamente mas a com a voz demasiado sumida. ‘Still Loving You’ é uma balada rock que flirta com a atmosfera acústica mas que é sempre elétrica, numa sucessão de solos de guitarra que lhe dão um caráter de épico
No encore, surge um grande insuflado de escorpiäo, ao som das batidas com toneladas de peso de ‘Blackout’ e de ‘Rock You Like a Hurricane’.
