Scorsese estreia 'Assassinos da Lua das Flores'
Leonardo DiCaprio, Robert DeNiro, Lily Gladstone e Jesse Plemons são os principais protagonistas desta história real.
É um dos filmes mais aguardados do ano e, só pelo elenco e interpretações de Leonardo DiCaprio, Robert DeNiro, Lily Gladstone e Jesse Plemons, valerá a pena estar sentado durante mais de três horas numa sala de cinema. Estreia, esta quinta-feira, em Portugal, o filme ‘Assassinos da Lua das Flores’, de Martin Scorsese.
Baseado no livro best-seller do autor e jornalista David Grann, o filme do premiado realizador norte-americano recria a tragédia que assolou os Índios Osage, nos Estados Unidos, na década de 1920, um período da América conhecido por “reino do terror”.
Na época, a tribo indígena Osage ficou milionária depois de encontrar petróleo na sua reserva e foi alvo de múltiplos assassinatos e de uma conspiração para lhes retirarem as propriedades. No lançamento do filme, o realizador Martin Scorsese explica que foi à procura de autenticidade.
“O que eu queria captar era a natureza do cancro que criou uma sensação de genocídio vagaroso”, disse o realizador.
O filme da Apple tem sido aclamado pela crítica ainda antes de ir para os cinemas e prepara-se para ser um caso sério nos Óscares.
Desde o trabalho de pré-produção, que começou em 2019, até às filmagens diárias, Scorsese teve sempre apoio das autoridades da nação Osage para garantir que tudo estava de acordo com as suas tradições e continha exatidão histórica. Desde casamentos a funerais e rituais de escolha de nomes.
Era muito importante “lidar com a cultura de uma forma respeitosa sem cair na narrativa de Rousseau e o nobre selvagem”, vincou Scorsese. O objetivo foi ter “autenticidade, respeito e dignidade, e contar a verdade o melhor possível”.
A atriz Lily Gladstone, de origem indígena, foi fundamental para isso. Scorsese elogiou o seu ativismo e disse que não se sobrepôs à sua arte, pelo contrário: “A arte estava no ativismo”, considerou. “Precisávamos da ajuda dela para contar as histórias das mulheres”, referiu ainda o realizador.
Com espaço para cenas improvisadas, Scorsese contou como o ponto de vista do filme mudou ao longo do processo. Aquela que ia ser uma história contada de fora, a partir do agente do FBI Tom White, que investigou os assassinatos, tornou-se numa narrativa vivida por dentro.
Leonardo DiCaprio decidiu não interpretar Tom White e encarnou Ernest Burkhart, um norte-americano branco que casou com uma índia Osage (Mollie/Lily Gladstone) e teve um papel integral na sequência de assassinatos na tribo.
“É uma história de pecado por omissão, de cumplicidade silenciosa”, caracterizou o realizador. “Começámos de dentro para fora”.
Tom White acabou por ser encarnado por Jesse Plemons e essa história paralela sobre o nascimento do FBI foi apenas levada até um certo ponto neste filme.
Scorsese referiu que DiCaprio, DeNiro (William Hale) e Lily Gladstone aprenderam a língua Osage e queriam ter mais cenas em que a falavam.
O realizador disse que há um ressurgimento do idioma nas novas gerações da tribo, depois de muitas décadas a perderem contacto com a língua e outros rituais.
Lembrou também que muita desta história foi enterrada nos últimos cem anos. “Isto não era falado quando eu cresci”, disse Scorsese. “As pessoas envolvidas, as suas famílias, ainda lá estão”.
“Assassinos da Lua das Flores” estreia esta quinta-feira em Portugal, e nos Estados Unidos na sexta-feira, 20 de outubro. Depois da passagem pelas salas de cinemas, estará disponível na plataforma de streaming Apple TV+.
