"Se a ajuda não entrar, será um desastre na Venezuela"

O relato da situação de emergência por Leonel Moniz, luso-descendente e conselheiro das comunidades portuguesas no país.

A Venezuela precisa urgentemente de ajuda e "se continuar sem conseguir entrar é um desastre". Apelo de Leonel Moniz, luso-descendente e conselheiro das comunidades portuguesas no país. Relata que a situação foi agravada com a falta de energia: está tudo parado e há pessoas a comer lixo na rua. Os portugueses e os luso-descendentes estão a fugir (ilegalmente).

Leonel Moniz vive em Valencia, a cerca de duas horas de Caracas. Descreve a situação emergente que se vive nas ruas, com "pessoas a comer lixo na rua e mesmo quem pode ir ao supermercado não encontra o que quer. (...) Não haver energia é grave: as empresas perdem em vendas, os alimentos estragam-se"... 

O conselheiro explica que os portugueses estão a ser muito afetados porque têm, sobretudo, negócios ligados à alimentação e sem luz "é o caos, além de que não há redes para pagamento. Vivem num país parado, sem notícias, redes sociais, nada... por culpa do governo."

Muitos lusodescendentes que nunca pediram dupla nacionalidade vêem-se agora "aflitos" para consegui-la: os consulados estão entupidos e há muitos que vão para Portugal ilgalmente para conseguir o documento". 

Na próxima segunda-feira os conselheiros das comunidades portuguesas na América Central e na América do Sul viajam para Brasília, para um conselho regional (onde deverá estar o ministro dos negócios estrangeiros português e o secretário de estado das comunidades portuguesas) e onde será discutida a situação da Venezuela.