Secretário-geral do PS promete colaboração com a justiça na sequência de buscas

José Luís Carneiro diz que o Partido Socialista não é visado nas buscas da PJ.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou hoje que cooperará com a justiça e tudo fará para que a “legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade” do partido.

“Quero garantir que tudo farei para que a legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade do PS, seja a nível local seja nacional”, afirmou o líder socialista.

José Luís Carneiro falava aos jornalistas na Assembleia da República, na sequência da operação da Polícia Judiciária que inclui buscas na sede nacional do PS.

O secretário-geral socialista sublinhou também que as diligências da PJ "não visam o PS", e assegurou que o partido vai cooperar com a justiça.

"Cooperaremos, como aliás o fizemos durante a manhã, com as autoridades judiciárias para que todos os factos sejam cabalmente apurados e, se houver sido cometidos crimes, todos os responsáveis devem, naturalmente, ser responsabilizados pelos mesmos. Cooperaremos de forma leal com as autoridades judiciárias, e tudo farei para que esse apuramento dos factos seja cabal e possa garantir que se faz justiça", afirmou.

José Luís Carneiro defendeu que esse é o seu "dever em defesa daqueles que são os princípios basilares do Estado de Direito Democrático".

"Defender o Estado de direito democrático é colocarmo-nos do lado das autoridades para garantir que a legalidade é cumprida em todos os níveis de responsabilidade", sustentou também.

A Polícia Judiciária (PJ) realizou hoje várias buscas, incluindo na sede nacional do PS, relacionadas com uma operação em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, envolvendo a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia, e da qual resultaram cinco detenções.

Segundo a CNN Portugal, um dos detidos será Duarte Moral, assessor de imprensa do PS.

A PJ indicou hoje de manhã que, no âmbito da operação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, intitulada “Imergente”, tinham sido realizadas, até aquele momento, quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e constituídos 37 arguidos.

As buscas no Largo do Rato foram confirmadas pelo PS em comunicado e, no qual afirma que as diligências estão relacionadas com um dos seus trabalhadores e não com o partido.

“O Partido Socialista confirma que a Polícia Judiciária está na Sede Nacional do Partido Socialista, a realizar diligências relacionadas com atividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores”, refere o PS, em comunicado enviado à Lusa.

No mesmo comunicado, o PS sublinha que o partido “não é, como tal, visado pela investigação” da Polícia Judiciária.

O PS acrescenta que está a colaborar com a PJ em tudo o que está a ser solicitado, “no sentido de assegurar a boa condução das investigações e no respeito integral dos princípios e regras do Estado de direito”.

Em causa está a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.

Na nota, a PJ diz que na operação estão em causa “procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público”.

De acordo com a CNN Portugal, a investigação tem como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, anteriormente liderada pelo socialista Miguel Coelho, um dos visados nas diligências em curso.

Entretanto, Miguel Coelho suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa.