"Sem a ilha de Fogo, não haveria a história de Hanami"
Entrevista à realizadora de "Hanami", Denise Fernandes. Filme está em exibição nas nossas salas de cinema.
A longa-metragem de estreia de Denise Fernandes, “Hanami”, habita nas terras quentes e vulcânicas da ilha do Fogo, em Cabo Verde. O filme acompanha o crescimento da menina Nana, abandonada cedo pela mãe, até o reencontro se dar, no Fogo.
“Hanami” tem ganho vários prémios, o mais recente deles o de Melhor Longa-Metragem da Competição Nacional do IndieLisboa, a juntar-se a outras distinções, como o Prémio Ingmar Bergman no Festival de Cinema de Gotemburgo ou o Prémio Revelação no Festival de Cinema de Locarno. “Esta história é profundamente ligada a Ilha do Fogo. Primeiro, existe a ilha do Fogo e só depois existe o Hanami. É um filme ligado a um território, as ilhas de Cabo Verde são todas muito diferentes umas da outras. Acho que a história da Nana não poderia acontecer noutra ilha que não a ilha do Fogo, que tem características de natureza muito singulares e que para mim se refletem também na vivência das pessoas que lá vivem”, explica Denise Fernandes, em entrevista à nossa rádio, feita na semana passada num café de um cinema de Lisboa.
“Acho que a inspiração nasceu principalmente de um desejo. Um dos desejos era fazer a minha primeira longa em Cabo Verde. E depois, a partir desse desejo, houve toda uma série de intenções que eu tinha. Antes de ter a história do filme, eu tinha várias intenções. Quase como uma receita, havia coisas que eu queria ter neste primeiro filme e acho que o ‘Hanami’ é resultado dessas intenções que depois me manifestei na escrita e que agora estão no filme”, recorda a realizadora de 35 anos, que vive numa triângulo geográfico entre a Suíça, Portugal e Cabo Verde.
Denise Fernandes não escapou ao jogo de paciência que um realizador debutante tem que enfrentar. “Oito anos parece muito, mas temos que imaginar que há oito anos eu não sabia nada. Nem fazia ideia de como ia conseguir fazer uma longa. Muitos primeiros filmes demoram muito porque também no meio das ideias temos que encontrar o caminho, que não está escrito. É uma coisa que nós temos que procurar e de perceber como é que se vi encontrar um produtor, quantas versões do argumento vou ter que fazer, quanto tempo que tenho que esperar. Muitas vezes se fala que o filme tem que ser financiado, mas também existem prazos e às vezes tens que esperar um ano antes de poder submeter um projeto. Depois, tens que sentir que a escrita está sólida. Ainda precisas de investigação no terreno. E depois tens toda a preparação com a equipa. Oito anos parecem muito. Mas, no meu caso, sinto que foi muito orgânico, não tiraria nenhum ano fora desse processo. Acho que foi o caminho que o filme precisava de ter e mesmo se os anos fossem menos, não sei se eu teria um melhor filme. Acho que o tempo de desenvolvimento nunca foi um peso para mim, o meu desejo era só chegar até o fim e conseguir concretizar. Foi uma viagem para mim e para as pessoas que estavam envolvidas no filme”.
